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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 09/05/2016 03:25

Cresce disputa no setor de cartões

O crescimento do mercado de cartões acelerou no primeiro trimestre do ano.

O crescimento do mercado de cartões acelerou no primeiro trimestre do ano e a disputa se tornou ainda mais acirrada entre as credenciadoras. A Getnet, do Santander, continuou conquistando espaço em detrimento da Rede, do Itaú, que teve sua fatia reduzida. A Cielo também apresentou crescimento forte e aumentou sua participação, mas revelou que perdeu grandes contas de varejistas em negociações recentes, devido à maior agressividade de seus competidores.

As compras com cartões capturadas pelas maquininhas das três maiores credenciadoras - que representam cerca de 95% do mercado - cresceram 8,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2015, alcançando R$ 255,2 bilhões. No quarto trimestre do ano passado, a expansão havia sido menor, de 6,4%.

A Getnet seguiu avançando, ganhando mais relevância no mercado e pressionando as taxas cobradas pelas grandes concorrentes Cielo e Rede. As compras processadas pela credenciadora do Santander cresceram 24% no trimestre, alcançando R$ 22,8 bilhões, ou 8,9% do total das três maiores. No fim de dezembro, sua fatia era um pouco menor, de 8,7%, e há um ano era de 7,8%.

OValor apurou que a Getnet tem conquistado clientes de vários portes. Por ter um preço mais barato, ganharia muitos pequenos e médios lojistas, mas também estaria apostando muito na oferta completa, aliada a produtos bancários, para fechar com grandes clientes. Além disso, a Getnet tem fechado parcerias com grandes redes de franquias, como as Óticas Carol, as lavanderias 5àsec, e os postos de combustível da Raízen - para ofertar seu produto com vantagens aos franqueados.

A Cielo, líder de mercado, também conseguiu crescer e ganhou 0,2 ponto percentual de participação de mercado no trimestre, alcançando 54,7%. Suas transações cresceram 10,2% no trimestre, acima da expectativa do mercado, mas Rômulo Dias, presidente da companhia, disse que esse crescimento foi pontual e não deve ser repetido nos próximos trimestres.

Em teleconferência com analistas na semana passada, Dias disse que a Cielo perdeu contas de grandes varejistas em negociações recentes, o que deve se refletir no balanço do segundo trimestre já que as migrações começam em abril e prosseguem em maio. Ele explicou que a empresa preferiu perder essas contas que mantê-las sem rentabilidade.

As fatias de mercado conquistadas por Cielo e GetNet saíram da participação da Rede, credenciadora do Itaú. As compras processadas pelas máquinas da empresa cresceram apenas 1,95% no trimestre, para R$ 92,9 bilhões, ou 36,4% do mercado. No quarto trimestre de 2015, sua participação era de 36,8% e no começo do ano passado estava ainda maior, em 38,6

A visão de alguns participantes do mercado é que o Santander está avançando rápido por estar fazendo um bom trabalho com sua credenciadora, mas que seu espaço de expansão está limitado à participação do controlador no setor bancário. Para crescer além disso, na opinião de alguns, a Getnet precisaria de canais adicionais de distribuição.

Analistas acreditam que apesar do resultado forte do primeiro trimestre, o crescimento do setor vai desacelerar. A Cielo reafirmou sua projeção de que o volume transacionado pela indústria avance entre 5,5% e 7,5% em 2016, em linha com a expectativa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

 Énatural que as compras com cartões acompanhem o ritmo do consumo das famílias e, com a atividade econômica em constante enfraquecimento, a tendência é que a indústria também perca tração. Além disso, a indústria caminha para uma configuração que prevê mais competição, em que todas as credenciadoras poderão aceitar todas as bandeiras.

 


Fonte: Valor Econômico