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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 22/07/2016 03:55

A inadimplência dá sinais de desaceleração

A queda do endividamento e da inadimplência deve ser analisada com cuidado, pois, para a maioria das famílias, tomar dívida é essencial para consumir

O número de inadimplentes registrado em maio ainda foi muito alto (59,47 milhões), segundo a consultoria Serasa Experian, mas pela primeira vez em 18 meses houve queda em relação ao mês anterior. A redução foi de cerca de 1,3 milhão em relação a abril, quando havia 60,73 milhões de inadimplentes, número recorde desde 2012. O levantamento da Serasa confirma os dados de outras pesquisas. A da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que entre maio e junho caíram tanto o porcentual de famílias endividadas como daquelas com dívidas em atraso. A outra, da Boa Vista SCPC, indicou diminuição de 3,8% do número de inscritos no cadastro de inadimplentes entre os primeiros semestres de 2015 e 2016.

Fatores de inadimplência como desemprego e perda de renda não desapareceram nem se atenuaram neste ano, mas cresceu o esforço das famílias para se endividar menos ou quitar compromissos vencidos, evitando ter o nome incluído nos cadastros de negativados.

Segundo a Serasa Experian, a maior redução na inadimplência ocorreu na faixa de 18 a 25 anos. A eliminação dos atrasos decorreu, em geral, da renegociação da dívida, da contratação de outra operação de crédito em condições mais favoráveis ou da retirada de recursos da caderneta de poupança para honrar os compromissos. Para muitas pessoas, mesmo tendo recursos em caderneta, estes são insuficientes para o reequilíbrio das contas.

A pesquisa Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC mostrou que 58,1% das famílias tinham dívidas por cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro em junho, menos do que os 58,7% de maio e os 62% de junho de 2015.

Diminuíram as dívidas em atraso, segundo a CNC, de 23,7% em maio para 23,5% em junho, mas 9,1% dos pesquisados declararam não ter condições de quitar os compromissos, mais 0,1 ponto porcentual em relação a maio. O endividamento diminuiu apenas no grupo de renda inferior a 10 salários mínimos, de 63,5% em junho de 2015 para 59,4% no mês passado. Aumentou, no entanto, o porcentual das famílias muito endividadas, de 12,5% para 15% entre junho de 2015 e junho de 2016.

A queda do endividamento e da inadimplência deve ser analisada com cuidado, pois, para a maioria das famílias, tomar dívida é essencial para consumir. E se o consumo é baixo a economia fica estagnada.

 

 

Fonte: Estadão