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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 25/07/2017 08:38

Veja vantagens e desvantagens de comprar por meio de consórcios, que cresceram 7,8% neste ano

Os brasileiros parecem ter redescoberto um método para adquirir bens em período de recessão econômica.

Os brasileiros parecem ter redescoberto um método para adquirir bens em período de recessão econômica. O pré-requisito para essa estratégia de compra consiste em não haver pressa para ter a posse do imóvel próprio ou do veículo, por exemplo. 

Mesmo raciocínio vale para adquirir serviços como viagens, reformas e procedimentos estéticos, que entraram mais recentemente no rol dos consórcios. As vendas de novas cotas dessa modalidade de transação cresceram 7,8% nos primeiros cinco meses deste ano, quando comparadas com o mesmo período de 2016, segundo levantamento da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac).

De janeiro a maio, foram vendidas 912,5 mil cartas de crédito, que dão direito à participação nas assembleias e aos sorteios dos bens de consumo. No ano passado, foram 846,3 mil novas cotas comercializadas por quem administra os consórcios. O volume de negócios atingiu R$ 36,3 bilhões, que representa um acréscimo de 24,7% em relação aos R$ 29,1 bilhões registrados há um ano.

Na avaliação do presidente da Abac na Região Sul, Augusto Letti, a elevação da taxa de juros no Brasil, que impacta os financiamentos comuns, mas deixa imunes os consórcios, não é a única justificativa para tal cenário. O administrador acredita que esse comportamento também pode ser atribuído à tendência que as pessoas apresentam sobre o coletivo em relação à compra.

– O crescimento é reflexo de uma evolução do próprio consumidor, que apresenta uma maneira mais consciente de buscar recursos para consumir. Hoje, esse conceito do coletivo, do grupo se ajudando, está mais forte. E também é mérito para o próprio sistema de consórcio, que ganha confiança ao transmitir aos consumidores informações sobre esse tema da educação financeira – avalia.

Ainda conforme as impressões de Letti em relação aos três Estados, é possível afirmar que há mais mulheres comprando por meio de consórcios. O planejamento também se dá, majoritariamente, entre pais que almejam comprar apartamento para os filhos, casais novos partindo para uma opção mais segura do que o aluguel, além da formação de patrimônio. E, claro, há a troca do automóvel próprio ou a compra de um segundo imóvel.

Em Santa Catarina, 24,2% das compras de veículos leves (automóveis, utilitários e camionetas) feitas de janeiro a maio foram possibilitadas por meio de consórcio. No ano passado, essa participação havia alcançado somente 20,7%. Logo atrás, vêm os consórcios de imóveis, que representaram 21% nas vendas desse tipo de bem e tiveram crescimento de 0,8 pontos percentuais neste ano.

Veículos impulsionam alta da modalidade

O analista de comércio eletrônico Jonatas Machado, 30, foi um dos catarinenses que aderiu à modalidade de compra quando decidiu trocar de carro há pouco mais de uma semana. Na tentativa de ser contemplado rapidamente, ele vendeu o veículo antigo, guardou o dinheiro na poupança e, agora, espera a oportunidade ideal para realizar um lance. 

Com a decisão, optou por uma taxa de administração de cerca de 15% em detrimento aos juros que variam entre 13,3% e 69,36% ao ano, conforme o Banco Central. Acredita estar fazendo um bom negócio e, dentro de três meses, ou mais precisamente 12 assembleias, projeta buscar as chaves do veículo.

– Peguei uma carta significativamente mais alta justamente porque eu tenho a intenção de dar um lance alto para conseguir tirar mais rápido. Tudo isso me leva a acreditar que eu vou conseguir a contemplação com uma certa brevidade, levando em consideração que eu tenho um bom lance para ser dado e pela quantidade de pessoas que participam da mesma carta. Mas, para mim, por ora, é muito tranquilo, porque eu não tenho pressa, já que posso ir trabalhar de ônibus – afirma Machado.

Ele conta que, antes de assinar o contrato, prestou atenção em variáveis como flexibilidade, valores e quantidade de prestações, além de ter pensado em uma proposta atrativa. São as mesmas recomendações do consultor financeiro Crisanto Soares Ribeiro, que também é professor na Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

– O cidadão comum ainda não teve acesso a um impacto efetivo da redução dos juros e isso ainda vai levar muito tempo. Então, muitas pessoas têm usado o consórcio como forma de planejamento. Se pode esperar um pouco mais para ter acesso ao bem, os custos são menores do que os de outros financiamentos, como o leasing. É preciso colocar na balança o custo e o prazo de cada operação – recomenda Ribeiro.

 Fonte: http://dc.clicrbs.com.br/sc/