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Informativo

Publicado em 09/07/2018 09:44

Crise faz consumidores investirem em consórcio, diz especialista

Sistema de financiamento cresceu nos últimos anos, principalmente no de veículos. Interessado deve ficar atento na hora de escolher a empresa

O sistema de consórcios apresentou uma alta no início de 2018 em comparação ao mesmo período de 2017 e cresceu 8,4% em todas as modalidades. No acumulado, as adesões em 2018 foram de 577 mil contra 532,5 mil em 2017. As vendas de veículos leves — carros, utilitários e caminhonetes — cresceram 4,6% em relação ao ano anterior.

Para o R7, Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da ABAC (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios), explica que o crescimento no consórcio de veículos leves mostra a importância do segmento para o sistema.

— Tivemos um aumento que varia todos os meses, mas foi só de participantes ativos teve um aumento de 51,2% em todo o sistema. Um dado curioso é que 75% dos consorciados optaram por veículos seminovos.

Mudança de comportamento

Há cinco anos, 2,42 milhões de pessoas optavam pelo consórcio de veículos leves. Em 2018, porém, o número saltou para 3,56 milhões. Rossi avalia que a busca por consórcios aumentou devido à crise.

— O comportamento do consumidor mudou nos últimos anos. A crise faz os consumidores investirem mais em consórcio. Isso porque o brasileiro passou a ficar mais atento às finanças. Na crise, ele substitui a compra impulsiva pela planejada, independentemente do veículo que a pessoa estiver interessada em comprar.

Com a crise, os consórcios também precisaram se adaptar ao novo perfil dos consumidores.

— Consórcio tem um custo menor do que outras linhas de financiamento. Mas no novo cenário econômico, houve um alongamento na quantidade de prestações. Como o orçamento estava curto para todos, a prestações passaram de 50 meses para até 80 meses, aí o valor para pagar por mês ficou menor e melhora o caráter psicológico.

Riscos

Mas o consórcio também oferece riscos se o consumidor, pois existem empresas que agem de má fé.

— É preciso buscar uma empresa que seja autorizada pelo Banco Central. Se não estiver, é golpe. O consumidor também precisa ler o contrato com bastante atenção para saber quais são os seus direitos e as suas obrigações.

Além disso, o consorciado precisa estar ciente que pode ser sorteado apenas no final do prazo.

— Como são muitas prestações, é bom saber como é realizado o sorteio, como é feito o reajuste das prestações, estar informado sobre as taxas da administradora.

Rossi ainda alerta para o perigo de ser enganado ao acreditar em valores muito abaixo do praticado pela tabela de mercado.

— Muitas empresas se passam por consórcio e ludibriam o consumidor. Essas empresas não autorizadas fazem preços mais baixos e o consumidor não pode acreditar em promessas. As regras sobre as empresas credenciadas são bem claras no Banco Central.

Antes de entrar em um consórcio, o comprador deve ficar atento à saúde financeira da empresa. O grau de inadimplência dos clientes da empresa é outro fator importante para se verificar.

Perfil do consorciado

O brasileiro que mais investe em consórcio pertence às classes C (39%) e D (34%), somando 73%. De acordo com os critérios do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a renda familiar destes grupos é de: R$ 1.255 a R$ 2.004 (Classe D) e R$ 2.005 a R$ 8.640 (Classe C). A classe B marca 20% de presença em consórcios e a classe A fica com 7%.

Do total, 54% dos consorciados têm mais de 40 anos. Destes, a maioria é casada (65%).

Confira abaixo os principais dados sobre consórcio de veículos leves dos últimos 5 anos

Participantes ativos consolidados (Total de Consorciados):

2014: 2,42 milhões

2015: 3,03 milhões

2016: 3,22 milhões

2017: 3,43 milhões

2018: 3,56 milhões

Vendas de novas cotas:

2014: 231 mil

2015: 240 mil

2016: 219,3 mil

2017: 254,6 mil

2018: 266,3 mil

Volume de créditos comercializados:

2014: R$ 9,78 bilhões

2015: R$ 10,29 bilhões

2016: R$ 8,67 bilhões

2017: R$ 10,54 bilhões

2018: R$ 11,03 bilhões

Contemplações:

2014: 108,5 mil

2015: 126 mil

2016: 137,3 mil

2017: 132,5 mil

2018: 144 mil

Volume de créditos disponibilizados:

2014: R$ 4,39 bilhões

2015: R$ 5,12 bilhões

2016: R$ 5,56 bilhões

2017: R$ 5,41 bilhões

2018: R$ 5,87 bilhões

Fonte: http://www.abac.org.br/sistema/noticiasTextuais/1_(201807034700)r7.pdf