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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

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Publicado em 22/08/2018 08:50

Vai comprar carro ou casa? Confira os erros mais comuns ao contratar um consórcio

Veja o que fazer para comprar um veículo ou uma casa por meio de um consórcio e não se arrepender depois. Confira a lista de coisas que você precisa fazer

O Banco Central divulga todos os meses o ranking das administradoras de consórcios com o maior número de reclamações de consumidores. O levantamento revela que a satisfação é elevada, já que o número de queixas é muito pequeno quando comparado aos quase 5 milhões de brasileiros que participam de algum grupo. Mas muito mais alto é o número de pessoas que compra um consórcio e depois acaba desistindo por arrependimento. EXAME.com conversou com Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), sobre como fazer a compra consciente desse produto. Veja a seguir os erros mais comuns a serem evitados:

Consórcio é só para quem não precisa do bem agora

O consórcio é uma forma de comprar um bem daqui a algum tempo. Se você precisa de um carro novo ou de um imóvel agora e não tem todo o dinheiro necessário para quitar o bem, é melhor tomar dinheiro emprestado em um banco. Por meio de um consórcio, é possível comprar um bem sem ter todo o dinheiro necessário desde que haja a contemplação.

Todos os meses, é realizado um sorteio para decidir quais cotistas do grupo receberão a carta de crédito que permitirá a compra do bem. Mas é arriscado contar a própria sorte. Há consórcios que possibilitam a aquisição de um veículo em 80 meses. Para imóveis, os prazos já alcançam 200 meses. Alguém sempre ficará por último e terá de esperar todo esse tempo para comprar o bem desejado. Há sempre a chance de que esse azarado seja você.

Vale notar que qualquer pessoa que tenha planos de comprar um veículo ou imóvel no futuro sempre vai ter a possibilidade de investir o dinheiro em alguma aplicação financeira e ganhar juros ao invés de ter custos como taxas de administração em um consórcio. A diferença é que essa pessoa não terá a chance de ser sorteada logo de cara e adiantar muito o momento da aquisição do bem. É essa crença que leva 4,78 milhões de brasileiros a participar de algum consórcio atualmente. Os bens que mais são comprados dessa forma são motos (2,25 milhões de quotistas), carros (1,63 milhão), caminhões (191.000) e imóveis (635.000).

Verifique a regularidade da administradora do consórcio

Essa é a primeira coisa que qualquer interessado em consórcio deve fazer. Principalmente em cidades de interior, há pessoas que se juntam para criar um consórcio e vender as cotas aos habitantes daquela localidade. Nem sempre há má-fé nessa iniciativa. Mas a prática é ilegal. Somente instituições autorizadas pelo Banco Central podem vender quotas de consórcio. A ideia é que os administradores não possam simplesmente pegar o dinheiro dos participantes do grupo e fugir.

A boa notícia é que é muito fácil identificar as empresas regulares. No site do BC, é possível encontrar todas as empresas com autorização de funcionamento. Já o site da Abac informa o nome de todas as empresas associadas. O BC acompanha de perto os balanços das administradoras de consórcio e pode intervir caso identifique alguma delas com problemas financeiros. Se houver aprovação dos quotistas em assembleia, todo o grupo pode ser transferido para outra administradora sem prejuízo financeiro mesmo que uma administradora quebre.

Já no caso de consórcios sem autorização do BC, o risco é muito maior. Existem até empresas que estão sendo investigadas pela polícia e pelo Ministério Público por suposta montagem de um esquema de pirâmide.

Não existe sorteio garantido

Sempre que o vendedor de um consórcio lhe oferecer quotas com contemplação garantida em pouco tempo, desconfie. Não existe consórcio idôneo que possa garantir que o quotista receberá a carta de crédito daqui a 30 ou 60 dias. Tenha sempre em mente que o prazo máximo para que o sonho da compra do bem seja realizado é o da existência do grupo.

Não acredite em promessas de lance baixo

A maioria dos consórcios permitem duas formas de contemplação todos os meses: por sorteio e com os lances. A fórmula do lance é bastante simples. O consorciado que se mostrar disposto a adiantar o pagamento da maior parte do bem terá o direito de ser contemplado. Então alguém que planeja comprar um carro de 100.000 reais e oferecer um lance de 50.000 reais ganhará a carta de crédito se ninguém estiver disposto a oferecer um valor superior.

Essa regra funciona muito bem quando a venda é honesta. Mas o vendedor do consórcio pode tentar convencer o cliente que um grupo que está sendo formado reúne apenas pessoas com pouco dinheiro e que será muito fácil dar um lance vencedor para obter a carta de crédito pagando, por exemplo, apenas 30% do valor do bem. Não acredite em promessas desse tipo a não ser que ela esteja registrada em contrato.

Geralmente, será muito difícil ser contemplado por lance nos primeiros meses de um consórcio. Os lances para a compra de imóveis ou carros podem chegar a 60% do valor do bem no início do grupo. Nos grupos que permitem o chamado “lance embutido”, os percentuais podem ser ainda maiores. O “lance embutido” é uma forma de o consorciado usar a própria carta de crédito para apresentar sua proposta.

Num consórcio de imóveis no valor de 300.000 reais, por exemplo, um consorciado pode dar um lance de 150.000 reais e usar 100.000 reais da carta de crédito para cumprir a promessa de pagamento. Nesse caso, o valor total da carta de crédito que será liberada cairá de 300.000 para 200.000 reais, mas o participante só terá de colocar 50.000 reais do próprio bolso para conseguir dar o lance vencedor.

Saiba que sair do consórcio nem sempre é tão fácil quanto entrar

É importante o consorciado casar muito bem o tempo de permanência no consórcio com a compra do bem desejado. Se alguém entra em um consórcio para comprar um imóvel em até 150 meses, mas planeja sair do aluguel e se mudar já no próximo ano, pode ter problemas se não tiver sorte nem o dinheiro necessário para dar um lance. Quem entra em um consórcio e depois se arrepende tem duas formas de deixar o grupo e pegar de volta o dinheiro que já foi pago. Vender a quota para um terceiro é uma delas. Mas é o próprio consorciado quem deverá encontrar um interessado. Também é importante manter os pagamentos até o momento da transferência da quota para que ela não seja cancelada.

A outra possibilidade é ser sorteado como desistente – algo que passou a ser permitido há quase três anos. Nesse caso, entretanto, será uma questão de sorte.

Busque a taxa de administração mais baixa

As administradoras de consórcio são livres para estipular as taxas que serão cobradas dos consorciados. Antes de comprar uma quota, vale a pena pesquisar a taxa mais baixa e não checar apenas se a prestação cabe ou não cabe no bolso. Imagine um grupo em que os consorciados poderão retirar cartas de crédito de 300.000 reais. Se a taxa de administração for igual a 15% durante todo o período do consórcio, essa despesa somará 45.000 reais. Já caso a taxa seja de 20%, o custo subirá para 60.000 reais – ou 15.000 reais a mais. A grande diferença faz com que seja muito vantajoso ligar para diversas administradoras para se informar sobre os custos do contrato.

Fique atento à taxa efetiva

Alguns consórcios incluem outros custos além da taxa de administração. A maioria dos consórcios possui um fundo de reserva que será usado para cobrir eventuais perdas com inadimplência. O percentual de consorciados que são contemplados e depois param de pagar as mensalidades é inferior a 2,5% na média nacional. O índice de inadimplência é, portanto, bem mais baixo que o do crédito para veículos, por exemplo, que encostou em 5% nos últimos meses. A administradora do consórcio pode retomar o bem do inadimplente após apenas um mês de atraso no pagamento. Mesmo assim, um veículo avariado, por exemplo, pode não ser suficiente para cobrir a dívida do consorciado que parou de pagar.

Fonte: http://abac.org.br/sistema/noticiasTextuais/1_(201808142642)oitomeia.pdf