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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 29/08/2018 10:30

Busca por investimento e renda extra traz maior demanda por consórcios

O ambiente doméstico de incertezas políticas, altos níveis de desemprego e crédito restrito têm impulsionado a procura por novas cotas como alternativa de alocação de recursos e rentabilidade

Os consumidores que buscam renda extra começam a apostar na venda de cotas já contempladas de consórcios. A estratégia, somada àqueles que usam a modalidade como investimento alternativo à previdência privada, já corresponde a cerca de 20% do setor.

Os movimentos mais flexíveis em relação ao uso da cota, segundo especialistas, são cada vez mais impulsionados pelo ambiente doméstico, de incerteza política, crédito difícil e ao elevado índice de desemprego do País.

De um lado, tanto deixando o dinheiro aplicado como locando os [imóveis ou automóveis] contemplados para ganhar renda, o consórcio ganha força como alternativa à previdência privada, que muitas vezes demora tempo demais até que o cliente tenha acesso ao recurso rentabilizado.

Ao mesmo tempo, também ganha espaço a venda de cotas contempladas pelos próprios consumidores, como forma de ganho em cima (ágio) do valor da transação.

Segundo o diretor geral da BR Consórcios, Rodolfo Montosa, essa estratégia, apesar de menos frequente, também começa a despontar no setor, uma vez que mira o público que migra para o consórcio, mas é “fã do imediatismo”.

“O cliente que não quer retirar o bem tem duas alternativas. A primeira é deixar o recurso aplicado e, a segunda, é ir à mercado. Ele vende a cota já contemplada e não apenas reembolsa o que investiu como também obtém lucro com a venda”, comenta o diretor.

Somadas, as duas vertentes já correspondem por 20% das vendas do mercado. É uma forma de ganho em um cenário ainda difícil e sem grandes certezas futuras.

Os executivos destacam, no entanto, que é exatamente o ambiente doméstico volátil que abre espaço para uma atuação mais forte do consórcio no mercado brasileiro.

Os últimos dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), por exemplo, apontam que, no primeiro semestre, o setor atingiu 1,22 milhão de novas cotas, um aumento de 10,9% em relação às 1,1 milhão em igual período de 2017.

Além disso, as incertezas políticas e principalmente o crédito ainda restritivo, acabam beneficiando muito o setor, já que o consumidor que não consegue financiamento ou que só encontra taxas muito altas, encontra no consórcio uma alternativa mais interessante financeiramente.

Segundo Montosa, da BR Consórcios, o produto acaba sendo um “autorating”.

“As instituições financeiras estão com a nota de corte muito acima e dificulta o acesso para o consumidor. Assim, o consórcio acaba sendo não apenas para a aquisição de um bem, mas até mesmo como forma de poupança”, acrescenta o diretor da administradora.

Segundo a Abac, os consórcios de motocicletas, imóveis e veículos pesados mostraram recordes no ano em relação a entrada de novos consorciados. As cotas campeãs foram as de motocicletas, que atingiram 85 mil adesões.

Em seguida vieram as cotas de imóveis, com 23,25 mil novas adesões e as de veículos pesados, com 7,25 mil.

Expectativas

Em relação às perspectivas futuras, os especialistas entrevistados pelo DCI reiteram que o consórcio tem potencial para continuar crescendo.

Na BR Consórcios, por exemplo, o primeiro semestre apresentou alta de 48% em relação a igual período de 2017. Por categoria, a cota de imóveis foi destaque, com avanço de 91% na venda de ativos. A meta de crescimento para o ano inteiro era de 50%.

“Projetamos, agora, um aumento de 60% em 2018, principalmente porque não adianta expansão sem qualidade. Focamos em explicar o produto detalhadamente e trazer critério na venda para crescer”, diz.

Fonte: http://www.abac.org.br/sistema/noticiasTextuais/1_(201808243044)dci.pdf