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Publicado em 21/05/2014 09:28

Por que não é absurdo trocar o imóvel por outras aplicações

Veja por que trocar um imóvel por aplicações financeiras pode ser uma boa estratégia de investimento

São Paulo - Vender um imóvel para investir o dinheiro em aplicações financeiras pode soar como algo absurdo, mas quem diz isso não está ficando louco. Pelo contrário.

Cada vez mais aumenta a percepção de que os preços dos imóveis estão se acomodando.

Conforme mostrou o último índice FipeZap, 15 cidades tiveram queda real nos preços dos imóveis em abril, isto é, a inflação foi maior do que a alta dos preços. 

Acrescenta-se a isso o fato de que a taxa Selic está em uma trajetória de alta, tornando investimentos em renda fixa mais rentáveis, uma vez que eles acompanham a variação da taxa básica de juros.

Diante desse cenário, três especialistas consultados por EXAME.com foram unânimes em dizer que além de não ser uma loucura trocar um imóvel por um investimento, a estratégia pode ser bem interessante.

Mas, obviamente, essa pode ser uma decisão complexa, e requer uma análise profunda para que seja avaliado caso a caso quando esse tipo de movimento vale a pena. 

Quem já tem um imóvel como moradia

Para quem já tem um imóvel como moradia e está na dúvida entre investir na compra de um outro imóvel, ou aplicar os recursos disponíveis em aplicações financeiras, a questão é menos complicada.

Nesse caso, apenas entram na conta as vantagens e desvantagens de um tipo de investimento e de outro e exclui-se a análise da importância de se ter um imóvel como moradia.

Pensando no imóvel apenas como investimento, vale a pena comparar o rendimento darenda fixa e do aluguel de um imóvel para começar. 

“Hoje o proprietário ganha entre 0,4% e 0,7% do valor do imóvel de aluguel. A título de comparação, uma LTN rende cerca de 13% ao ano, ela paga 1% ao mês, mais do que o aluguel, mesmo com o desconto do imposto de renda”, compara Felipe Miranda, analista da Empiricus.

A Letra do Tesouro Nacional (LTN), é um título do Tesouro Direto prefixado, cujo rendimento no vencimento já está inteiramente definido no momento da compra.

Além de observar o rendimento mensal que os aluguéis garantem, é preciso incluir na conta a valorização da propriedade. E é exatamente nesse ponto que está a resposta sobre o que vale mais a pena.

“Para que o imóvel se mostre mais interessante do que um investimento no título prefixado, é preciso acreditar que haverá um ganho de capital pela valorização do imóvel”, diz Miranda.

Segundo ele, ainda que seja impossível prever o comportamento do mercado, como os imóveis já se apreciaram bastante, a possibilidade de que os preços subam ainda mais é menor do que a hipótese de estabilização ou queda nos preços.

Clemens Nunes, professor da Escola de Economia da FGV-SP, explica que os preços dos imóveis seguem um ciclo: “No Brasil existe uma tendência de rápida aceleração de preço seguida de estabilização, quando os rendimentos ficam abaixo da inflação e ocorre a perda real”.

Como acabamos de passar por um momento de forte alta, acrescenta Nunes, a próxima fase do ciclo seria de estabilização dos preços e de queda real.

Segundo o professor, o mercado imobiliário acompanha o ciclo da economia. Em períodos de crescimento, a renda e a concessão de crédito aumentam, elevando a demanda. Mas como as construtoras demoram um certo tempo para responder ao aumento de demanda, a oferta diminui e os preços sobem, voltando a se estabilizar apenas quando os prédios são entregues e a oferta cresce.

“Agora temos estoques em várias cidades brasileiras. É uma característica deste ciclo, um fenômeno notável em vários mercados”, diz Nunes.

Para Paulo Bittencourt, diretor técnico da Apogeo Investimentos, observar os ciclos econômicos e alternar entre ter o imóvel e em outros momentos ter o dinheiro aplicado é uma boa estratégia.

“Se o imóvel foi comprado na planta em uma região que deve se valorizar e o investidor esperou quatro, cinco anos pela valorização daquele imóvel, realmente vale a pena vendê-lo, transformar o ativo em dinheiro e ter todo tempo do mundo para comprar outro imóvel nas mesmas condições, repetindo o processo", diz Bittencourt.

Além da expectativa de menor valorização dos imóveis, com a alta da taxa Selic investimentos de renda fixa estão mais atraentes e vantajosos comparativamente. "Para quem pensa em qual momento se desfazer do imóvel, esse é o momento. De um lado temos o aumento dos juros e do outro o arrefecimento no mercado de imóveis”, analisa o diretor da Apogeo. 

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/por-que-nao-e-absurdo-trocar-o-imovel-por-outras-aplicacoes