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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 18/08/2014 09:44

Inadimplente adia pagamento de dívida

Pesquisa que avalia intenção para os próximos três meses revelou que brasileiros consideram a cobrança injusta ou têm outras prioridades

Fantasma de muitas famílias, a inadimplência foi tema de pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) pelo portal Meu Bolso Feliz. No estudo, os consumidores revelaram que, mesmo inadimplentes, 37% ainda não deverão pagar suas dívidas nos próximos três meses. O mais agravante é que, destes, 9% até admitem que terão condições de pagar a dívida neste período, mas não têm a intenção de fazê-lo porque consideram a cobrança injusta ou excessiva (45%) ou têm outros compromissos financeiros para honrar (14%). E para 36%, deixar de comprar as coisas que gosta é a principal dificuldade para quitar as dívidas. 

"A pessoa pode não estar enxergando o planejamento a médio e longo prazo", comenta Charles Vezozzo, diretor da PUC-PR Campus Londrina e consultor de finanças pessoais e de empresas. Para ele, particularmente no Brasil, a dívida deve ser a primeira despesa a ser paga, pois "juros sobre juros e a sistematização do endividamento é muito severa". 

Culpar os juros abusivos para não pagar as contas também não é uma atitude muito adequada, diz o educador financeiro do Meu Bolso Feliz, José Vignoli. "As pessoas colocam muito os juros abusivos como causa para não pagar as contas, mas esquecem que quem criou o problema foram elas próprias. Estes juros abusivos estão escritos na fatura do cartão de crédito", exemplifica. 

O cartão de crédito da credenciadora (46%), de acordo com a pesquisa, é o principal motivo que levou o consumidor à inadimplência. O valor da dívida para a maioria dos consumidores entrevistados, vai de R$ 1.000 a R$ 1.999. Dos pesquisados, 33% admitem que não pagaram a conta em dia porque faltou controle financeiro ou de planejamento no orçamento. 

Para Charles Vezozzo, "a falta de critérios" no planejamento financeiro pode ser considerada uma das principais causas da inadimplência. "Se a pessoa não tem planejamento, nem critério, fatalmente acaba entrando no consumismo." A atual situação de inadimplência dos brasileiros também pode ser atribuída a uma demanda reprimida existente na população. "Ao longo dos anos, aumentou a oferta de crédito no Brasil, e alguns segmentos das classes sociais tiveram uma certa demanda reprimida. Com o aumento do poder aquisitivo, a tendência é querer comprar o que não tinha acesso antes." 

A resistência de mudar os hábitos de consumo também pode prejudicar profundamente as finanças. "Depois de alguns anos com crédito farto, juros baixos, pleno emprego, nos acostumamos com um padrão de vida que não nos condiz", diz Vignoli, do Meu Bolso Feliz. Porém, ele lembra que a situação econômica do País agora mudou, e mesmo assim as pessoas não aceitam mudar de padrão de vida. 

Para evitar a inadimplência, Charles Vezozzo e José Vignoli recomendam organização, bom senso e transparência. Vezozzo recomenda seguir o método, criado por ele, dos 3Ps para refletir antes de cada compra: "Preciso disso? Por que comprar? Posso comprar isso agora?" Para um melhor planejamento das finanças, o consultor aconselha dividir as despesas em grupos. No grupo A, ficam as despesas "imprescindíveis", como alimentação e moradia, no B, despesas intermediárias, como educação, e no C, os gastos supérfluos. Caso sobrem recursos do grupo A, estes podem ser aplicados no B, e assim por diante. 

Para quem já está no vermelho, Vignoli orienta, antes de tudo, a não esconder a dívida da família. Além disso, é preciso colocar as contas no papel e checar sempre o extrato do banco para saber para onde os recursos estão indo.

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1928-20140817&tit=inadimplente+adia+pagamento+de+divida