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Informativo

Publicado em 21/08/2014 10:47

Prévia da inflação desacelera para 0,14% em agosto

RIO - Puxada por mais uma queda nos preços dos alimentos, a prévia da inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), desacelerou em agosto

RIO - Puxada por mais uma queda nos preços dos alimentos, a prévia da inflação oficial brasileira, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), desacelerou em agosto e subiu 0,14%, informou o IBGE nesta quarta-feira. Em julho, o indicador havia subido em 0,17%. A taxa deste mês poderia ser ainda menor, não fossem os reajustes das tarifas de energia elétrica, que influenciaram o número para cima.

Com o alívio, o índice acumulado em 12 meses diminuiu para 6,49%, levemente abaixo do teto da meta do governo (de 6,5%). Influenciou o resultado a intensificação da deflação dos alimentos e bebidas, que passou de 0,03% para 0,32%. Produtos como batata-inglesa (-20,42%), tomate (-16,47%) e feijão (-5,49%) tiveram redução de preço.

Também contribuiu para a redução as quedas das taxas de vestuário (de zero para -0,18%) e comunicação (-0,10% para -0,84%). O grupo despesas pessoais também teve queda, principalmente por causa do recuo nos preços dos hotéis (-23,54%), revertendo o forte avanço durante a Copa do Mundo.

PRESSÃO DE TARIFAS DE ENERGIA

Em compensação, os aumentos das tarifas de energia pressionaram o índice para cima. O item subiu 4,25% e, sozinho, respondeu por 0,12 ponto percentual do indicador. Ou seja, se os preços tivessem ficado estáveis, o IPCA-15 de agosto seria de apenas 0,02%. Em Curitiba, a alta foi de 23,85%, enquanto São Paulo registrou aceleração para 9,55%.

A pressão do custo da energia elétrica fez com que a capital paranaense registrasse o maior índice entre as 11 regiões acompanhadas pelo IBGE, passando a alta de 0,5% em agosto, frente a 0,11% em julho. A menor taxa foi calculada em Salvador, também por causa do preço da energia, que, no caso da cidade baiana, recuou 6,55%, refletindo a redução de impostos na região.

Para André Perfeito, economista-chefe da corretora Gradual Investimento, o resultado é positivo, mas ainda não é efeito da política monetária do Banco Central, e sim da reversão dos choques de preços do início do ano.

— A situação é boa, o Banco Central tem que comemorar. O governo está conseguindo fazer com que o acumulado de 12 meses não saia do controle. Mas o resultado não reflete os efeitos da política monetária, que ainda não foram completamente sentidos na estrutura dos preços. O que estamos vendo é o fim do choque dos preços (alimentos em alta no começo do ano e Copa causando inflação em setores como o hoteleiro) — explicou Perfeito, que acredita que a inflação deve fechar agosto em 0,2%.

Em relatório, o Itaú informou que o IPCA ficou próximo da estimativa feita pela instituição. E, baseado no índice divulgado nesta quarta-feira, estimou que a inflação vá fechar o mês em 0,27%. Antes, o banco previa IPCA de 0,25% em agosto.

Alexandre Espírito Santo, economista da Simplific Pavarini e professor do Ibmec-RJ, afirma que a desaceleração da inflação se deve a três fatores: a economia lenta, o fim do choque de alimentos e as medidas do Banco Central para conter os gastos, principalmente o ciclo de altas de juros.

— A redenção do choque de alimentos está acabando. O que pode acontrecer é que o governo aproveite para fazer alguns movimentos que são necessários, como mexer no preço de combustíveis — diz o analista.

O efeito dos chamados preços administrados, aqueles controlados pelo governo, também é destacado por Luis Otávio Leal, economista do banco ABC Brasil. Enquanto, nos primeiros meses do ano, as principais pressões vinham dos preços livres, entre eles os alimentos, os dados desta quarta-feira mostram que agora o impacto pode passar a ser dos preços administrados, até então responsáveis por conter a inflação.

“O tipo de movimento observado esse mês, com o índice sendo ‘dominado’ pelos preços administrados, deverá ser a tônica da inflação em 2015. Se isso é bom porque torna a inflação mais exógena ao processo, por outro traz desafios importantes. O primeiro seria reduzir os preços livres em tal monta que possa equilibrar o impacto da elevação dos preços administrados”, disse o economista, em nota.

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