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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 03/10/2014 11:04

Confiança do comércio recua em setembro, segundo a CNC

Taxa foi negativa em 0,7% ante o mês anterior; intenções de investimento caíram 0,9%

Rio - O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) voltou a recuar em setembro. A taxa foi negativa em 0,7% ante o mês anterior, divulgou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) ontem, atribuindo a queda, principalmente, à variação negativa do subíndice que mede a percepção das condições correntes (- 4,7%). Em agosto, o Icec havia crescido 2%, interrompendo uma sequência de dez meses de queda. 

Na comparação sazonal, também as intenções de investimento caíram, -0,9%. Já as expectativas, que haviam puxado a alta no mês passado, voltaram a subir (+1,8%), evitando uma queda ainda mais expressiva do Icec em setembro. "Apesar da ligeira recuperação do otimismo nos últimos meses, tanto os investimentos quanto as expectativas seguem em níveis consideravelmente abaixo daqueles verificados em setembro de 2013", afirmou o economista da CNC Fabio Bentes, em nota. 

Na comparação com setembro de 2013, o Icec registrou variação negativa de 9,0%, puxado pela deterioração na avaliação das condições correntes. Para 62,4% dos empresários, as condições atuais do setor estão piores do que há um ano, sendo que na opinião de 28,9% houve piora acentuada nos últimos 12 meses. Com isso, a avaliação das condições correntes do setor atingiu o seu patamar mais baixo desde o início da pesquisa, em 2011. 

Comparado a setembro de 2013, as expectativas recuaram 5,5%. Mas, em relação a agosto subiram 1,8%. Segundo a CNC, o principal responsável tanto pelo avanço mensal quanto pela retração no comparativo anual segue a expectativa média em relação ao desempenho da economia brasileira. 

A pesquisa captou também que a maioria dos entrevistados (73,2%) projeta um cenário econômico melhor para os próximos meses. Há um ano esse percentual era de 83,0%. As intenções de investimento, no entanto, recuaram 0,9% em relação ao mês anterior e 7,1% contra o mesmo mês de 2013. 

"Em ambos os casos, o principal responsável pelas retrações foi a menor propensão a investir capital nas empresas. O crédito mais caro neste ano tem desestimulado não somente a tomada de recursos por parte dos consumidores, mas também inibido os investimentos no setor, especialmente em um ano em que as vendas vêm perdendo fôlego", informou a CNC. 

PROJEÇÃO
A CNC projeta que o ano de 2015 seguirá no mesmo ritmo do segundo semestre de 2014, período em que as vendas devem crescer 4% ante igual período do ano passado. Fábio Bentes ressalta que, tradicionalmente, os governos tendem a promover ajustes em seus primeiros anos de mandato, o que tem repercussão direta para o comércio. 

"Existe a preocupação de que o primeiro ano de governo seja de ajustes na economia. Sabemos que não será um ano de grandes resultados. Mas seria importante que tivéssemos taxas de juros menores que 40% ao ano. Se a inflação melhorar, o comércio pode crescer um pouco acima de 4%. Eu apostaria em um crescimento parecido com o do segundo trimestre, na casa dos 4%", projetou Bentes. 

O economista destaca que todo o ano de 2014 foi marcado pelo desânimo no comércio. A exceção foi em agosto, quando o índice de confiança subiu 2%, com a expectativa de que a inflação perderia força e contribuiria com as vendas. No entanto, o que prevalece, diz ele, são resultados negativos ou nulos da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que mede o desempenho do comércio, desde fevereiro. 

Ainda assim, a expectativa é de que o fechamento do segundo semestre seja melhor do que o primeiro, descontados os efeitos sazonais do Natal sobre os indicadores. O dólar e a inflação devem contribuir para isso. "Por mais que o dólar tenha subido agora, não vai dar tempo de estragar as vendas de fim de ano", afirmou.

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--279-20141003&tit=confianca+do+comercio+recua+em+setembro+segundo+a+cnc