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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 10/10/2014 09:46

Empresas usam sistema para avaliar risco de inadimplência do consumidor

Quitar a dívida pode não ser a garantia da volta imediata ao crédito. Brasil tem hoje 57 milhões de consumidores inadimplentes.

O Brasil tem hoje 57 milhões de consumidores inadimplentes, segundo a Serasa. Mas tem muita gente que não está devendo nada e mesmo assim não consegue crédito para comprar. Isso porque o nome desse consumidor pode estar no cadastro de pontuação usado pelas empresas.  É o chamado score, que avalia os bons e os possíveis maus pagadores.

A copeira Eliene Pereira Silveira pagou a dívida que ela tinha feito e o nome dela saiu do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Mas quando ela foi fazer uma compra, não conseguiu parcelar. Recebeu um ‘não’ do vendedor.

“É pior ainda porque não está sujo. Tá constando que está restrito que você não pode ter cartão de crédito nem nada, mas não sabe por que está restrito”, conta Eliene.

Quitar a dívida pode não ser a garantia da volta imediata ao crédito. No Brasil, as empresas utilizam um sistema chamado score para avaliar o risco de inadimplência de um consumidor.

Na hora de aprovar o crédito, financeiras, lojas de eletrodomésticos, seguradoras, operadoras de telefonia consultam o cadastro. Nele há informações sobre o histórico do consumidor. O nome entra para essa lista quando a pessoa pega um financiamento ou abre uma conta bancária. Os bons pagadores tem uma pontuação maior e, portanto, conseguem crédito mais fácil a juros menores. Os considerados maus pagadores podem não ter acesso ao crédito.

Segundo a Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o sistema de pontuação não é ilegal. Mas, ele não pode informar, por exemplo, que no passado o consumidor foi inadimplente, se o nome dele já esteve nas listas de proteção ao crédito, e não está mais.

“Isso pode nos dar a entender que estão retornando a velha prática proibida pelo código de defesa do consumidor das chamadas listas-negras, ou seja, o consumidor teve uma dívida no passado, conseguiu pagar a dívida e o código fala que nesse momento não pode ter mais nenhuma inscrição do seu nome sendo possível a obtenção de novo crédito. O grande problema é exatamente o consumidor não ter acesso aos critérios do score então, ele não sabe exatamente quais são as razões pelas quais houve a negativa de crédito”, explica Bruno Burgarelli, da Comissão de Defesa do Consumidor - OAB.

“A partir do momento que ele paga a dívida. Essa informação é retirada dos bancos de dados.
O credor vai avaliar a capacidade de pagamento, a renda, histórico prévio que esse consumidor teve com a sua própria instituição, enfim são vários fatores além das informações da Serasa que também vão ser avaliadas”, explica Vander Nagata, supervisor de Informações sobre Consumidores (Serasa).

A assistente administrativo Jéssica Araújo Miguel precisou recorrer ao Procon para abrir uma conta bancária. O pedido foi negado pelo banco mesmo com a antiga dívida paga.

“Você não está devendo nada e eles ainda estão te barrando. Acabou constrangendo a gente, envergonhando a gente e é muito constrangedor, muito vergonhoso”.

A OAB recorreu ao Supremo Tribunal de Justiça para questionar esse sistema de pontuação e aguarda uma decisão do STJ.

http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2014/10/empresas-usam-sistema-para-avaliar-risco-de-inadimplencia-do-consumidor.html