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Informativo

Publicado em 29/10/2014 10:06

Alta dos combustíveis acontece neste ano e trará reflexos para a inflação

Não há data definida para o reajuste, mas assunto entra nesta sexta-feira na pauta da reunião do conselho de administração da Petrobras

Curitiba - O governo já começou a preparar o campo para o reajuste dos preços dos combustíveis. A medida teria os objetivos de recompor o caixa da Petrobras e acalmar os ânimos do mercado. Ainda não há uma data definida para a aplicação do aumento, mas o assunto está na pauta da reunião do conselho de administração da companhia marcada para a próxima sexta-feira, dia 31. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já tinha afirmado que aumentos de preços ocorrerão ainda em 2014, seguindo a tradição de conceder ao menos um reajuste a cada ano. O último tinha acontecido em novembro de 2013 de 4% para a gasolina e 8% para o diesel. 

O coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo (UP), Lucas Dezordi, acredita que o aumento virá, no mínimo, na casa de 5% ou 6% tanto para a gasolina como para o diesel. Com isso, ele prevê reflexos na inflação com elevações nos preços das tarifas do transporte coletivo já a partir do começo de 2015 e dos custos do frete, que também acabam respingando no consumidor final com o reajuste dos preços de vários produtos. 

Um levantamento realizado pelo Laboratório de Economia e Finanças (Labefin) da UP, apontou que a inflação dos preços administrados (que inclui combustíveis, energia elétrica, gás, telefone, transporte público e plano de saúde) deve fechar este ano com alta de 6,26%, isso já considerando o aumento dos combustíveis até o final de 2014. Com isso, o índice oficial de inflação, o IPCA, pode fechar o ano em 6,55% ou 6,6%, portanto, acima do teto da meta estabelecida pelo governo em 6,5%. 

Dezordi prevê ainda que o ano de 2015 já comece bem inflacionado com a expectativa de novos reajustes da energia elétrica e do transporte público. O Labefin projetou que a inflação dos preços administrados em 2015 chegue a 7,17%, percentual maior que a previsão para 2014. 

O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, afirmou que é difícil dizer quando será aplicado o reajuste dos combustíveis, mas acredita que o governo vai tentar adiar o que for possível este aumento. "A Petrobras está perdendo muito valor. Um reajuste dos combustíveis seria uma forma de sinalizar que o governo vai seguir uma lógica mais de mercado e não política’’, destacou. Ele também acredita em alta da gasolina e do diesel, o que trará impactos nos preços do transporte público, do frete e repique na inflação. 

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Rui Cichella, a presidente Dilma Rousseff (PT) é que vai correr o risco de determinar se o aumento será mais expressivo ou não. Ele preferiu não arriscar valores. E estima que o reflexo nas vendas vai depender do tamanho da elevação para o consumidor final. 

Cichella disse que, dependendo do valor do reajuste, os consumidores podem migrar para o consumo do etanol. "Com a aplicação de um aumento, acontece retração de vendas naturalmente no primeiro mês", avaliou. 

PREÇOS
O levantamento semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apontou que o valor médio da gasolina no Paraná na semana de 19 a 25 de outubro era de R$ 2,90 por litro. Ainda no Estado, o etanol era vendido ao preço médio de R$ 1,97 e o diesel a R$ 2,44 o litro. 

A mesma pesquisa mostrou os preços médios para Curitiba de R$ 2,82 para a gasolina, R$ 1,94 para o etanol e R$ 2,41 para o diesel. Em Londrina, os valores médios para o litro ficaram em R$ 2,96 para a gasolina, R$ 1,96 para o etanol e R$ 2,44 para o diesel. (Com agências)