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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 11/11/2014 09:35

Taxa de juros volta a subir em outubro

Alta média de 0,33% para consumidor ainda não reflete reajuste da Selic e indica que variação deve permanecer positiva

A taxa de juros média para a pessoa física aumentou 0,33% em outubro sobre setembro, depois de queda na comparação mensal anterior, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A variação ocorreu devido à percepção de bancos e financeiras de que há maior risco na concessão de crédito ao consumidor, por fatores como a inflação alta e o desaquecimento econômico. 

Para os próximos meses, a expectativa é de que os juros continuem a subir. Isso porque o resultado de outubro ainda não sofreu impacto pelo reajuste da Selic, promovido pelo Banco Central no último dia 29. A instituição elevou a taxa básica de juros de 11,00% para 11,25%, o que contrariou todas as expectativas. 

O coordenador da pesquisa e diretor executivo da Anefac, Miguel Ribeiro de Oliveira, afirma que, nas financeiras, é feita análise sobre o presente e sobre o futuro. E a percepção para os próximos meses é de que a população terá mais dificuldade em cumprir com compromissos, devido à inflação e ao encarecimento do crédito, que levarão à queda do consumo e à possível elevação do desemprego. "O aumento (da taxa de juros) foi pequeno, mas sinaliza que o ambiente é de maior risco para a oferta de crédito", diz. 

O mês de setembro havia tido queda na taxa depois de 15 meses de alta nos juros para pessoa física. Oliveira credita o resultado anterior ao aumento da competição entre financeiras e à certeza de que o BC não elevaria mais a Selic neste ano. "Como a inflação está persistente e o Banco Central elevou a Selic e surpreendeu a todos, a percepção é que a tendência é de subir mais", diz. 

Para o chefe do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Londrina, Renato Pianowski, os juros aumentaram porque o contingente de inadimplentes também se elevou e os bancos repassaram o custo extra. "Os bons sempre pagam pelos maus", afirma. 

Pianowki também acredita que vai demorar meses para os juros voltarem a cair, porque os agentes de mercado precisam acreditar que a economia se estabilizou. Por isso, diz que a população diminuirá os gastos, o que vai impactar no comércio de fim de ano. "Cabe ao consumidor respeitar o seu dinheiro, sem gastar a esmo. Se for possível ficar mais um tempo com a geladeira velha, deve evitar financiamentos", orienta. Ele recomenda ainda que o 13º salário seja usado para pagar dívidas e como poupança para os gastos com impostos de início de ano. 

Pessoa jurídica
Entre as seis linhas de crédito pesquisadas, somente a taxa no uso de cartão de crédito rotativo ficou estável. Houve alta de 0,87% no empréstimo bancário, de 0,56% sobre o financiamento de automóveis, 0,43% no juro do comércio, de 0,28% no empréstimo em financeiras e de 0,24% no cheque especial. 

Para a pessoa jurídica, a única alta foi de 2,66% para capital de giro. A taxa sobre desconto de duplicatas caiu 0,79% e a sobre conta garantida teve redução de 0,17%. Na média, os juros para empresas tiveram alta de 0,29%. 

 
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