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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 24/11/2014 10:17

Expectativa de inflação do consumidor fica em 7,5%

Percepção em relação aos altos preços atuais e a perspectiva de um 2015 desaquecido economicamente são apontados como causas

O brasileiro projeta uma inflação para os próximos 12 meses de 7,5%, conforme o Indicador de Expectativas Inflacionárias dos Consumidores de novembro, divulgado ontem pela Fundação Getulio Vargas. Não houve mudança em relação a outubro, ainda que o resultado seja o maior desde novembro de 2005, quando fechou em 7,8%. A percepção em relação aos altos preços atuais e a perspectiva de um 2015 desaquecido economicamente são apontados como causas. 


Desde dezembro de 2013 a expectativa oscilou entre 7,1% e 7,5%, com o piso do período justamente no último mês do ano passado. O teto foi atingido nos últimos dois meses e também em abril. "Apesar de a mediana ter se mantido constante, o aumento das respostas na faixa de 7% e 8% indicam um viés de alta do indicador. Fato este preocupante, uma vez que o mesmo já se encontra em um patamar elevado", diz o economista Pedro Costa Ferreira, da FGV, em nota. 

A quantidade de respostas à pesquisa com expectativas mais baixas, como 5%, 6% e 6,5%, tem diminuído nos dois últimos meses e a de previsões de inflação em 7% ou mais, aumentado. Para 25,1% das pessoas, a inflação deve ser de 6,5% ou menos a partir de novembro e 74,9% esperam valores acima de 7%. 

Para o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon) do Paraná, Laércio Rodrigues de Oliveira, a preocupação com a inflação tem fundamento, principalmente quando se pensa em preços administrados, como o dos combustíveis e da tarifa de energia elétrica. Isso porque a gasolina e o diesel ainda estão com valores defasados internamente, frente ao custo de importação. Já as empresas de eletricidade têm custos elevados pelo uso de térmicas, diante da seca que afeta as hidrelétricas. 

Oliveira lembra ainda que a proximidade com os gastos tradicionais de início de ano, como os impostos e materiais escolares para os filhos, também refletem na percepção sobre a inflação pelo consumidor. "Existe a expectativa de que a inflação pode ser até maior em 2015 do que em 2014, porque o governo terá de fazer investimentos para estimular a economia e isso deve manter os preços em alta", explica o economista. 

O indicador é obtido por meio de coleta de informações da Sondagem do Consumidor, que é feita mensalmente pela FGV. São mais de 2,1 mil brasileiros entrevistados e 75% deles respondem aos questionamentos sobre a expectativa inflacionária, em sete das principais capitais do País. 

Desde dezembro de 2013
a expectativa oscilou
entre 7,1% e 7,5%