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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 12/01/2015 09:46

Inflação aparece com mais consumo

Alta no valor da cesta básica costuma ser menor do que média de todos os itens, mas consumidor tende a reclamar no mercado porque passa a comprar mais

Londrina - A percepção do trabalhador em relação à inflação e à variação do próprio poder de compra muda de acordo com o padrão de vida que mantém. O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no Paraná, Sandro Silva, afirma que a inflação da cesta básica tem fechado nos últimos anos abaixo da média da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), usada para definir o reajuste do mínimo e da maioria das categorias profissionais. Mesmo assim, a reclamação dos consumidores ao fazer a feira é constante. 

O INPC de 2014 ficou em 6,23%, enquanto o reajuste médio da cesta básica em 17 capitais, medido pelo Dieese, ficou em 5,89%. Em Curitiba, a variação anual foi de 4,82%. "Isso é positivo porque sobra um pouco de dinheiro para que a pessoa gaste com outros itens além de alimentos", diz Silva. 

Ele lembra que a inflação considera uma média de um amplo leque de produtos, o que explica porque é possível sentir uma pressão maior sobre os preços. "As pessoas têm uma percepção equivocada porque não analisam mudanças no próprio padrão de vida ao longo do tempo e não percebem que sentem mais a inflação porque passaram a ganhar mais e a comprar produtos mais caros", diz Silva. 

A professora de economia Maria Eduvirges Marandola, da UniFil, afirma que, conforme o nível de renda, a pessoa está sujeita a oscilações diferentes nos preços. "É comum que as pessoas digam que a inflação divulgada está bem abaixo do que elas sentem, porque isso depende de quais itens compõem a sua cesta." 

Ela completa que a inflação é diluída ao longo do ano, o que também cria uma sensação de maior alta do que a que realmente ocorre. "Temos preços que se movimentam e um salário que fica parado por 12 meses, então, à medida que os meses passam, vou perdendo meu poder de compra", conta Maria Eduvirges. 

Por isso, destaca a importância de se ter reajustes reais no salário e de o trabalhador tomar cuidados com o orçamento doméstico. "Deve-se pesquisar preços, fazer compras em dias de promoções nos mercados, aprender a usar embalagens econômicas e não desperdiçar ao comprar produtos perecíveis, comprando só a quantidade que será usada", diz a professora, que coordena o projeto A Saúde Financeira da Família, na UniFil. 

VARIAÇÃO DO MÍNIMO
O reajuste do salário mínimo para 2015 foi de 8,84%. O índice proposto pelo governo considerou um aumento real de 2,5%, o mesmo do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 2013, e a previsão do INPC em 6,19% para 2014. Porém, o INPC, divulgado somente na última sexta-feira, ficou em 6,23%. A perda não chega a R$ 1, segundo o Dieese. 

Em 2011, quando a diferença entre a expectativa do governo e o resultado final do INPC foi maior, de 5,88% e 6,08%, respectivamente, houve pressão de centrais sindicais e recálculo do mínimo, que foi de R$ 540 para 545. Na ocasião, a diferença era pouco superior a R$ 1. 

Qualquer mudança no valor do piso depende de aprovação no plenário do Congresso, neste ano. A Comissão Mista de Orçamento do Congresso havia definido um piso nacional de R$ 790, mas a presidente Dilma Rousseff redefiniu o valor para R$ 788, em decreto.

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1073-20150111&tit=inflacao+aparece+com+mais+consumo