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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 28/01/2015 09:43

Juro do cheque especial passa de 200% ao ano

Taxa é a maior desde 1999 e subiu ao longo de 2014 devido a reajustes da Selic e ao endurecimento na concessão de empréstimos por instituições financeiras

A taxa de juros do cheque especial fechou 2014 em 200,6% ao ano, o maior índice desde os 204,3% de fevereiro de 1999. Conforme divulgado ontem pelo Banco Central (BC), o custo da operação também evoluiu sobre novembro, quando era de 191,6% em 12 meses, e sobre dezembro de 2013, quando era de 147,9%. O motivo foram os reajustes na Selic e o endurecimento na oferta de crédito pelas instituições financeiras, diante de um cenário de inflação alta, desaquecimento econômico e maior risco de inadimplência. 

Na média entre todas as operações para crédito livre para pessoas físicas e jurídicas, os juros chegaram a cair de 32,9% ao ano em novembro para 32,4% em dezembro de 2014. Porém, a taxa era de 29,0% no último mês de 2013. Para pessoa física, o índice anual foi de 44,1% para 43,4% de novembro para dezembro e, para a jurídica, de 23,5% para 23,3% no mesmo comparativo. 

A leve retração em dezembro foi causada principalmente pela queda de 103,7% para 102,0% de novembro para dezembro para o crédito pessoal e de 22,7% para 22,3% nos financiamentos de veículos. Ambos tiveram alta, entretanto, em relação a dezembro de 2013, quando estavam em 86,1% e 21,3%, respectivamente. 

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, diz que o recuo em dezembro é comum. "As pessoas recebem o 13º salário e utilizam esse recurso para sair do cheque especial. Isso faz com que o saldo recue no final do ano", conta. 

O diretor executivo de estudos financeiros da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, completa que, no caso dos veículos, a redução foi para tentar vender mais carros no fim de um ano desaquecido para o setor. "Quando se olha no conjunto, as taxas vêm subindo porque acompanham a Selic", diz. 

Consultor de finanças pessoais e empresariais e diretor do campus de Londrina da PUC-PR, Charles Vezozzo afirma que o BC tem se mostrado conservador ao elevar os juros para forçar o aumento da poupança e para derrubar o consumo. "É algo ruim porque diminui o crescimento do País e, se atrai capital externo para reservas, encarece o capital interno." 

No caso de recursos direcionados, o crédito rural subiu de 5,2% anuais em novembro para 5,4% em dezembro, acima dos 4,7% de dezembro de 2013. O imobiliário caiu de 9,2% para 8,9% no mês passado, mesmo índice do último mês de 2013. O microcrédito foi de 14,5% para 11,9% entre novembro e dezembro, bem acima dos 8,8% de 2013. 

Orientações

Para o diretor da Anefac, é preciso entender que não é o momento oportuno para fazer operações financeiras. "Há uma maior seletividade dos bancos na concessão de crédito, houve aumento sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), a inflação está alta e as tarifas públicas subirão muito neste ano, o que diminui o poder de compra e leva a uma retração que pode gerar desemprego", diz. 

Oliveira sugere que, caso seja necessário buscar crédito, deve-se pesquisar taxas, evitar prazos muito longos, fugir de cartões de crédito e do cheque especial, que têm os juros mais altos, e optar pelo empréstimo consignado, que cobra taxas menores. Vezozzo lembra que o consumidor e o empresário precisam controlar mais os custos neste ano, porque será necessário enfrentar tempos difíceis com alta de custos. Ele sugere inovar na gestão financeira doméstica e empresarial e que se evite o pessimismo exagerado. 


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