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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 29/01/2015 09:44

Arrecadação de tributos federais cai 5,13% no PR

Queda no Estado ficou acima da média nacional, de 1,79%

A arrecadação de impostos e tributos federais no Paraná em 2014 sofreu redução de 5,13% em relação a 2013, atingindo R$ 61,028 bilhões contra R$ 64,3 bilhões no ano anterior. O resultado foi pior que o registrado no País, que teve queda de 1,79% na arrecadação e somou R$ 1,188 trilhão, conforme informou ontem a Receita Federal. É a primeira vez que o governo federal registra queda nas receitas desde 2009, quando houve retração de 2,66% no total arrecadado. 

O assistente da superintendência da Receita Federal do Paraná, Vergílio Concetta, diz que a queda maior que a nacional era esperada pelo órgão, que vinha acompanhando a evolução mês a mês. Segundo ele, a produção industrial 8% menor e a diminuição de 3,1% nas vendas de bens e serviços explicam o resultado no Estado. 

"Se a indústria não produz arrecada-se menos Cofins, Imposto de Renda, Contribuição sobre o Lucro (entre outros)", explica. Ele esclarece, ainda, que desonerações promovidas pelo governo federal representaram impacto, como nos casos de empresas que recolhiam contribuição previdenciária pela folha de pagamento e passaram a recolher sobre o faturamento. 

O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi um dos poucos a registrar aumento de arrecadação no Paraná (6,1%), reflexo da recomposição gradativa da alíquota para automóveis e linha branca. Já a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) teve a maior queda, de 11,6%. Concetta diz que perdura também o impacto da saída de uma grande empresa contribuidora do Estado, fato ocorrido em maio de 2013. 

"Por se tratar de uma comparação com o acumulado, enquanto não completar um ano e sair da análise, acaba tendo influência", informa. Francisco Castro, economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), aponta o fraco desempenho da indústria como principal motivo para a arrecadação em queda. 

"A situação econômica do País está prejudicando muito os estados que têm indústria forte. A gente tem uma participação grande do (setor) automotivo e ele está passando por uma crise", ressalta. Castro destaca que o setor de serviços também já mostra diminuição na atividade, como reflexo da conjuntura. Ele aponta a alta taxa de juros, que acaba por impactar o crédito e o poder de compra da população, como um dos problemas nacionais. 

"A gente fica dependente muito da macroeconomia, isso é que determina o andamento da economia dos estados. Taxa de juros, questão cambial e inflação são fatores que ficam fora da alçada de qualquer governante", afirma. 

Aumentos

O chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima, diz que a redução do crescimento econômico explica a queda na arrecadação de impostos. Para ele, as altas de tributos anunciadas pelos governos federal e estadual no início do ano terão efeito reduzido e não devem aumentar as receitas tanto quanto se espera, diante da inflação e das altas taxas de juros. 

"A estratégia vai empurrar o Brasil para uma recessão maior; poderia promover ajustes menores, mas deveria vir acompanhado de corte de gastos", defende. Para Pereima, o ano de 2015 será de recessão, com redução de 0,5% no Produto Interno Bruto (PIB).

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--3155-20150129&tit=arrecadacao+de+tributos+federais+cai+513+no+pr