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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 05/02/2015 09:27

Índice de otimismo do comércio do PR é o mais baixo em 14 anos

Segundo Fecomércio, expectativa para os próximos seis meses é favorável para 39% dos empresários

Theo Marques
 
Mesmo com expectativas pouco otimistas, 39% dos empresários pretendem fazer novos investimentos este ano
 
Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio-PR) apontou que apenas 39% dos empresários paranaenses dos setores de comércio e serviços estão otimistas em relação ao primeiro semestre do ano. Esse foi o índice mais baixo registrado desde o início da pesquisa em 2001. Para 28% dos entrevistados, a situação futura é indefinida e 27% veem a situação como desfavorável. Este último grupo acredita que o faturamento ficará abaixo do registrado em 2014. Outros 6% estão indiferentes sobre o andamento das vendas neste semestre. No segundo semestre de 2014 metade dos empresários acreditava que teria boas vendas. 

No comparativo entre os setores de comércio e serviços, os graus de insatisfação e de otimismo são muito semelhantes. A expectativa para os próximos seis meses é favorável para 38,40% dos prestadores de serviços e para 38,31% dos varejistas, números consideravelmente inferiores aos registrados no segundo semestre de 2014, quando o otimismo era de 57% no setor de serviços e 46% no comércio. Os que divergem dessa opinião e esperam por meses desfavoráveis chegam a 27,20% entre as empresas de prestação de serviços e 27,36% no comércio. Os empresários que se dizem indefinidos são 26,40% e 28,86%, respectivamente, enquanto 8% estão indiferentes em serviços e 5,47% no comércio. 

O vice-presidente da Fecomércio, Paulo Nauiack, disse que o pessimismo dos empresários é decorrente da política econômica do governo federal. Segundo ele, o aumento da energia, dos combustíveis, dos impostos, dos juros e da inflação gera expectativa negativa no consumidor o que reflete nos empresários do comércio e serviços. Outros fatores que têm contribuído para reduzir as vendas são as restrições para a concessão de crédito e o alto endividamento do consumidor. 

Entre as principais dificuldades que os empresários relataram estão a carga tributária (59%), a inflação (56%), aumento no custo das mercadorias (43%), consumidores descapitalizados (36%), falta de mão de obra qualificada (28%), concorrência informal (20%), falta de incentivo governamental (17%), falta de capital de giro (17%), segurança (16%), dificuldades para atender à legislação (10%), frete elevado (6%) e falta de qualidade nos produtos vendidos (2%). 

Apesar das expectativas pessimistas, 63% das empresas pretendem manter o quadro de funcionários no semestre; 16% querem aumentar o número de colaboradores; 15% devem optar pela redução e 6% ainda não sabem qual medida tomar até o fim do semestre. Nauiack disse que os empresários acreditam que pode ser maior o custo de demitir e treinar funcionários, por isso, analisam bem a situação antes de fazer cortes. 

A pesquisa mostrou ainda que, mesmo com expectativas pouco otimistas, 39% das empresas pretendem fazer novos investimentos, que devem se concentrar nas instalações (34%), equipamentos (27%), capacitação de colaboradores (23%) e propaganda (22%). "O empresário tem que se reinventar a cada momento. O investimento não se dá só nos momentos favoráveis", disse. Ele não prevê melhora nas expectativas dos empresários para este ano. 

O professor do curso de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), João Basílio Pereima, também não acredita em melhora das percepções dos lojistas neste ano. Ele prevê que os aumentos de tributos devem impactar muito na atividade econômica. Segundo o professor, o cenário econômico desfavorável deve refletir em queda de vendas. 

"O empresário tem que se reinventar. O investimento 
não se dá só nos momentos favoráveis"

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