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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 18/02/2015 01:34

Crédito caro e restrito reduz apetite por empréstimos

Ritmo de acesso a financiamentos diminui nesse início de ano por causa dos juros, cada vez mais altos

O encarecimento e a restrição na concessão de crédito têm reduzido o apetite por empréstimos e levado muitos consumidores a encontrar soluções no próprio orçamento para quitar contas pendentes. No último ano, a taxa média de juros dos empréstimos subiu cinco pontos, chegando a 43% ao ano, com destaque para o cheque especial, que oferece juros de 200% – índice mais alto em 15 anos.

O reflexo disso é a redução da contratação de empréstimos. O porcentual de famílias com dívidas contraídas em modalidades como cartão de crédito, crédito consignado e crédito pessoal atingiu em janeiro a menor marca desde 2012, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Muitas famílias usaram o 13.º salário para pagar suas dívidas, porque não estão com perspectivas de endividamento alto para este ano. O consumidor está mais apto a lidar com suas finanças pessoais”, diz a economista da CNC Marianne Hanson, que coordena o estudo.

Especialistas apontam que, diante da alta nos juros dos empréstimos, a melhor alternativa para quem está inadimplente é, se possível, evitar esse tipo de operação. “Esse é o pior dos momentos”, avalia Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira dos Educadores Financeiros (Abefin) e autor de livros sobre endividamento. Ele recomenda que, antes de buscar financiamento, o consumidor revise o orçamento doméstico e identifique gastos excessivos ou supérfluos para cortá-los e gerar receita.

Também é importante procurar o credor, manifestar interesse em pagar a dívida e negociar condições mais vantajosas para a quitação. “A pessoa precisa se interessar pelo tema, por mais árduo que seja. Fugir do assunto é a pior receita”, orienta o economista José Vignoli, do SPC Brasil.

Escolha

Se, mesmo diante dos custos em alta, o consumidor optar por um financiamento, deve ficar atento às taxas de juros e prazos para pagamento. As chamadas modalidades de emergência, como cheque especial e encargos de cartão de crédito, têm as maiores tarifas e, assim, são recomendadas apenas para casos extremos. “O cheque especial foi desvirtuado. É um produto para emergência, mas muitas pessoas passaram a usá-lo como capital de giro, incluindo no orçamento o limite desse crédito”, explica Vignoli.

Uma categoria muito buscada – cerca de um terço dos brasileiros já recorreu a ela, segundo pesquisa recente do SPC Brasil – é o crédito consignado, cujo pagamento de parcelas se dá por meio de desconto salarial. Embora tenha taxas menores, em razão do baixo risco de inadimplência, esse tipo de financiamento nem sempre é o ideal. “Tudo depende de qual empréstimo você acessa, com que instituição e sob que taxas”, alerta Vignoli.

Uma alternativa para fugir de taxas abusivas é emprestar dinheiro junto a amigos e familiares, que podem cobrar juros menores, como os da poupança, por exemplo. Os economistas, porém, recomendam cautela, pois isso coloca em risco relações afetivas e não necessariamente resolve o problema financeiro.

 

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1533402&tit=Credito-caro-e-restrito-reduz-apetite-por-emprestimos