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Informativo

Publicado em 19/03/2015 08:48

Ajuste fiscal ajudará a levar inflação ao centro da meta em 2016, diz BC

Segundo Tombini, alta dos preços ficará concentrada no 1º trimestre. Futuro do programa cambial será discutido nas próximas semanas.

Apesar da alta de preços em 2015, o corte de despesas promovido pelo ajuste fiscal “vai facilitar a convergência da inflação para o centro da meta [que é de 4,5%] até 2016”, afirmou nesta quarta-feira (18) o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante evento do Goldman Sachs, na capital paulista.

Ele reiterou que as atuais medidas de ajuste na economia devem assegurar o controle inflacionário no próximo ano. Em fevereiro, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 7,7% em doze meses, bem acima dos 6,5% estipulados pelo governo para o teto da meta.

Tombini disse acreditar que o efeito inflacionário do reajuste de preços congelados até o ano passado (a exemplo da gasolina e da energia elétrica) ficará concentrado no primeiro trimestre de 2015 e vai contribuir para uma queda significativa da inflação acumulada em 12 meses “já no início do próximo ano”.

“O ano de 2015 será de transição, de construção de bases para a um governo mais sólido lá na frente”, disse, assegurando que o BC continuará mantendo uma “postura vigilante” para conter o avanço da inflação na atual conjuntura de ajuste.

Para o presidente do BC, a economia brasileira está crescendo abaixo de seu verdadeiro potencial, sentindo os efeitos da política de ajuste fiscal, denominada por ele como “consistente” e “crível”.

Fututo do programa cambial
Tombini afirmou também que sua equipe deve se reunir nas próximas semanas para definir o futuro de intervenções diárias no câmbio. Com a recente disparada do dólar, o mercado segue apreensivo quanto à continuidade do programa cambial, previsto para durar até pelo menos o fim deste mês.

O programa de swaps cambiais é uma intervenção diária do BC no mercado, para aumentar a oferta de dólares e controlar a alta da moeda frente ao real. A sinalização de que o BC pretende rolar apenas parcialmente os contratos que vencem em 1º de abril trouxe incertezas ao mercado.

Nos últimos dias, a apreensão em torno do ajuste fiscal proposto pelo governo e dados desanimadores sobre o crescimento da economia levaram a moeda norte-americana a atingir a maior cotação em quase 12 anos.

Somente em março, o dólar subiu 13%, até o fechamento desta terça-feira (17). Em 2015, a moeda acumula alta de 21%, operando em torno de R$ 3,25.

Ao analisar o cenário externo, Tombini disse ainda que a economia global está em “contínua recuperação”, mas de forma desigual, destacando que o fim da intervenção monetária nos Estados Unidos vai de encontro aos pacotes de estímulo lançados recentemente pelos bancos centrais europeu e no Japão.

“As economias emergentes, em geral, têm apresentado perda de dinamismo”, disse o presidente do BC, citando a queda nos preços da commodities, como o petróleo, como fator preponderante no desempenho desses mercados.

http://g1.globo.com/economia/mercados/noticia/2015/03/ajuste-fiscal-ajudara-levar-inflacao-ao-centro-da-meta-em-2016-diz-bc.html