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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 20/03/2015 08:51

Risco de desemprego faz cair intenção de consumo

Índice despenca 6,1% em março, atingindo menor nível da série histórica

Rio - A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu ao menor nível da série histórica pelo segundo mês consecutivo. Em março, o indicador recuou 6,1% em relação a fevereiro, para 110,6 pontos, mais uma vez o patamar mais baixo já registrado desde janeiro de 2010. Em relação a março de 2014, a queda na ICF foi de 11,9%, informou ontem a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A insegurança das famílias em relação ao mercado de trabalho é o principal fator de redução do consumo. Os bens duráveis são os principais cortes do orçamento: quase metade das famílias acha que é um mau momento para adquirir esse tipo de produto, informou ontem a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

"As famílias estão ficando mais inseguras em relação à renda futura e ao emprego", afirmou a economista da CNC Juliana Serapio. Segundo ela, a desaceleração do mercado de trabalho gera essa incerteza e explica a cautela das famílias na hora das compras. "Elas tendem a evitar o consumo de itens desnecessários por conta do orçamento mais apertado e dos juros mais altos."

Na quarta-feira, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostraram o fechamento de 2,4 mil postos de trabalho em fevereiro - terceiro mês seguido de saldo negativo. Já a taxa de desemprego medida pelo IBGE nas seis principais regiões metropolitanas ficou em 5,3% em janeiro, contra 4,8% em igual mês de 2014.

A inflação também preocupa os consumidores. Em fevereiro, notou a economista, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,22%. "A inflação de transportes acelerou muito em fevereiro, principalmente gasolina e diesel. A alta do dólar também contribui, pois acaba sendo repassada a alguns produtos, como o trigo, um produto bastante básico, que provoca aumentos nos pães", comentou Juliana.

A pesquisa mostra ainda que os bens duráveis devem ser os mais afetados pela decisão dos consumidores. Ao todo, 49,7% das famílias dizem que é um mau momento para adquirir esse tipo de produto. Segundo a CNC, a taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres para pessoas físicas, de 52,62% ao ano em janeiro (o maior patamar da série do Banco Central) também é um grande inibidor desse tipo de gasto. "Até agora, com as perspectivas nada animadoras, não vejo reversão desse quadro", afirmou Juliana.

Diante das sinalizações das famílias, o quadro não é nada alentador para o comércio. "O setor, que era um propulsor do crescimento, está bastante baqueado", disse a economista da CNC.

Recentemente, a entidade revisou a previsão de aumento no volume de vendas do varejo restrito (sem veículos e material de construção) para 1% este ano. Se confirmado, o resultado será o pior desde 2003 (-3,7%).

 

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2156-20150320&tit=risco+de+desemprego+faz+cair+intencao+de+consumo