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Informativo

Publicado em 08/04/2015 10:51

Movimentação no varejo tem pior resultado em 12 anos

Serasa Experian registra avanço de apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano

A movimentação de consumidores nas lojas de todo o País cresceu apenas 0,6% no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014. O resultado é o pior desde 2003, quando a atividade caiu 0,6% no período. O mês de março esboçou uma reação, com avanço de 2,7% sobre fevereiro e alta de 5,9% frente ao mesmo mês do ano passado. Os dados foram divulgados ontem pela Serasa Experian. 

No acumulado do primeiro trimestre, três setores fecharam com crescimento e três com queda. A maior alta ocorreu nas lojas de tecidos, vestuário, calçados e acessórios (6,8%) e a queda mais acentuada no segmento de material de construção (-10,8%). Segundo os economistas da Serasa, fatores como a alta da inflação, o crediário cada vez mais caro e o baixo grau de confiança na economia pesaram negativamente sobre o desempenho do setor varejista. 

O economista do Datacenso, Cláudio Shimoyama, ressalta que o resultado do trimestre mostra uma divisão clara entre os setores de bens de consumo imediato e os duráveis, como os veículos. Ele diz que a pesquisa demonstra uma maior cautela dos consumidores e mais pessimismo em relação à economia. 

"O primeiro setor a ser afetado é o de bens duráveis. A queda no setor de veículos reflete na própria queda do combustível; é reflexo também do aumento do grau de endividamento das famílias", explica. Esses fatores impactam no menor movimento físico nas lojas desses setores, conforme mostrado pela Serasa. 

Da mesma forma, de acordo com Shimoyama, a maior movimentação nas lojas de bens de consumo imediato (como roupas e calçados, e até mesmo perecíveis), não reflete necessariamente em aumento do consumo. "O cliente passa a ser mais pesquisador para encontrar preços melhores, aumentando o giro. Estudos mostram que está havendo queda nas vendas e que o tíquete médio diminuiu", ressalta. 

O economista aponta dados como o pior desempenho em cinco anos das vendas de Natal em 2014 e a queda das vendas na Páscoa como sinais de que o varejo foi afetado pela crise econômica. "O varejo demora um pouco mais para sentir o impacto, mas deve ter queda em relação ao ano passado, como já houve queda em 2014", enfatiza. 

Fábio Ajita, sócio-proprietário da loja de calçados Ajita, diz que os primeiros meses do ano costumam ser mais fracos para o setor, que tem um pico no mês de dezembro. Segundo ele, não houve queda até agora, mas o verdadeiro desempenho deste ano poderá ser medido daqui para a frente. 

"Acredito mais em estabilidade com o ano passado; o termômetro mesmo é a partir de maio, quando efetivamente aumenta o movimento", explica. Já para o segmento de materiais de construção, o bom momento deveria ter ocorrido justamente no primeiro trimestre, mas veio fraco, segundo a proprietária do Depósito São Marcos, Lucinei Souza. O segmento sofre com a queda na construção civil e a empresária acredita que o pessimismo acaba inibindo o consumidor. 

"O ano sempre começa com força total, este começou mais retraído; acho que não vai ser um ano fácil, mas é possível empatar (com 2014)", estima. Crise é uma palavra proibida na Billie, loja de roupas femininas no centro de Londrina. A gerente, Solange Picoloto Ramos, diz que o fluxo de clientes diminuiu, no entanto, a equipe vem conseguindo manter as metas. 

"A gente tem que se reinventar. Aumentou a conta de luz da empresa, a água, o cliente está entrando menos, mas estamos extraindo mais. A gente está trabalhando com otimismo", garante. (com Agência Estado)

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