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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 09/04/2015 11:05

Inadimplência negativa 1 em cada 4 consumidores

O resultado de um detalhado estudo do consumidor brasileiro e seus hábitos serve de alerta a técnicos de crédito e a empresários dos mais diversos ramos.

O resultado de um detalhado estudo do consumidor brasileiro e seus hábitos serve de alerta a técnicos de crédito e a empresários dos mais diversos ramos. Vinte e sete de cada grupo de cem CPFs (Cadastro de Pessoa Física) têm algum tipo de problema. O dado é preocupante é mostra que, para manter a saúde financeira da empresa em uma época tão difícil, o empresário precisa empregar todos os recursos de proteção disponíveis, diz o especialista em crédito pessoal, o administrador de empresas Eduardo Berndt. Com longa experiência no SPC da Acimacar de Marechal Cândido Rondon, Eduardo é um dos maiores especialistas no assunto na região.
 
A Serasa, um dos principais bancos de informações de crédito do País, traz outro dado preocupante: 54 milhões de brasileiros estão com o nome sujo devido ao não pagamento de compromissos assumidos com o comércio. O índice corresponde a 40% da população com mais de 18 anos negativada, o que gera um tremendo impacto nos negócios do setor produtivo, conforme Eduardo. Ele traz os dois dados para a realidade regional para oferecer uma compreensão maior do quadro: o número de moradores da região Oeste com o CPF com algum tipo de problema, seria então, de 337 mil, enquanto que, acompanhando a proporção de âmbito nacional, 500 mil pessoas estariam registradas nos bancos do Serviço de Proteção ao Crédito, mantidos pelas associações comerciais em parceria com a Faciap.
 
Impulso
 
O diretor do SPC da Caciopar, Leopoldo Furlan, considera que um dos problemas para números tão expressivos de consumidores com problemas é a compra por impulso. “Muitas vezes, mesmo não precisando de um determinado item, a pessoa adquire porque as condições pareceram sedutoramente atrativas. Mas esse é um equívoco sério que pode gerar graves problemas”, conforme ele. Segundo Eduardo, geralmente a conta atrasada começa pequena, porém foge ao controle ao ser diluída em 12 vezes (ou mais) e somada a tantas outras prestações. “Se o consumidor não colocar o pé no freio logo, ela se torna uma impagável”.
 
Jean PaternoO especialista em SPC, Eduardo Berndt: “Consultar é uma necessidade às empresas”
 
Parcelamento é foco do desequilíbrio
 
Uma parcela dos que compram e não pagam age assim por má-fé. Entretanto, outra parte significativa vira inadimplente por descontrole de gastos. A explicação é simples, conforme o especialista em SPC, Eduardo Berndt. “As facilidades de crédito e o parcelamento de médio e longo prazos estão na raiz do problema”. Embora o recente aperto econômico dificulte as coisas, ainda é possível encontrar quem esteja disposto a oferecer facilidades para o fechamento de um negócio.
 
As empresas, principalmente do comércio, conforme Eduardo, fazem mais de 50% de suas vendas com algum tipo de parcelamento. “Isso é importante, porque é a forma que a empresa encontra para vender e competir. Pode ser um grande negócio se ela souber administrar a sua carteira de crédito ou pode virar uma tremenda dor de cabeça, até mesmo inviabilizando o negócio”. Ele cita a primeira lei das finanças para tornar o cenário mais claro: “O dinheiro tem valor no tempo. O R$ 1 de hoje não compra o mesmo produto daqui a 30 dias, ele perde valor”.
 
Da mesma forma, segundo Eduardo, 30 dias atrás ele valia mais do que hoje. Empresas que dependem do crédito para se manter podem terminar por pagar muito caro nesse acesso ao crédito. Ela precisa contar com controles financeiros para ver se a sua venda parcelada tem sido um bom negócio ou não. Para o consumidor, comprar a prazo é excelente. E há outros fatores associados: a poupança é um sacrifício imediato para um benefício futuro e o crédito é um benefício imediato mediante a promessa de um sacrifício futuro. Ou seja, ao considerar isso, grande parte dos consumidores opta, mesmo sem dinheiro, pelo parcelamento.
 
Dívida não é perdoada
 
O devedor fica com o CPF negativado por cinco anos. Depois desse período, o consumidor não aparece como inadimplente, ou seja, a consulta deixa de ser visualizada. Porém, a dívida continua e o débito com a empresa segue em aberto. Logo, é um engano considerar que em cinco anos a dívida será perdoada.
 
30% dos devedores pagam os seus débitos em um mês
 
As empresas precisaram criar um eficiente sistema de proteção para se precaver da inadimplência. Os recursos empregados permitem conhecer também o perfil dos consumidores e os hábitos de quem não honrou as dívidas nas datas acordadas. O especialista Eduardo Berndt informa que cerca de 30% dos consumidores incluídos no sistema de negativação honram os débitos até 30 dias depois da inclusão. Depois de dois meses, o índice some então para 75%. “Esses têm consciência de que o acesso ao crédito estará limitado e que limpar o nome é o melhor caminho para evitar transtornos mais sérios”.
 
Conforme Eduardo, as empresas contam com sistemas altamente eficientes para se proteger. Entre eles estão a Serasa, com abrangência nacional, e o SPC, que no Paraná está a cargo da Faciap. “O consumidor não é mais visto localmente. Se deixar uma dívida aqui e buscar crédito no Norte do País terá dificuldades de comprar a prazo, porque as informações são todas interligadas”. A base da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná faz mais de 600 mil consultas por mês e a meta, ainda em 2015, é chegar perto de um milhão.
 
Procurar os bancos de informação é uma necessidade para as empresas. Já que um em cada quatro brasileiros possui algum tipo de dívida em atraso, o índice de segurança ao empresário é de 25% apenas com a consulta. A soma de famílias com dívidas com cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnês e outros débitos foi de 59,6% em março. “Por isso, proteger-se é mais que um custo. É um investimento”, diz o diretor do SPC da Caciopar, Leopoldo Furlan.
 
Motivos da inadimplência
 
Cartão de crédito................................................. 73,4%
 
Financiamento de casa......................................... 19,4%
 
Carnês (de loja) ................................................. 18,2%,
 
Financiamento de carro ....................................... 14,4%.
 
Crédito pessoal..................................................... 9,6%
 
Tempo médio de atraso de contas
 
Até 30 dias ....... 28,5%
 
De 30 a 90 dias  ...........27,1%
 
Acima de 90 dias ......... 42,6%
 
Tempo médio de atraso em dias ........... 59,9
 
 
http://aserc.org.br/inadimplencia-negativa-1-em-cada-4-consumidores