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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 09/04/2015 11:11

Inflação de março é a maior desde 1995

Tarifa de energia elétrica puxa índice de 1,32% no mês e Curitiba tem terceira maior alta de preços entre capitais no País

Os reajustes nas tarifas de energia fez com que a inflação acelerasse ainda mais no País e fechasse março em 1,32%, a maior taxa para o mês desde 1995, quando foi de 1,55%. Entre as capitais, Curitiba ficou com o terceiro maior indicador no mês, com 1,69%, principalmente pelas altas na conta da eletricidade e no custo do trasporte urbano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

A taxa nacional foi além do 1,22% de fevereiro e dos 0,92% de março do ano passado. No trimestre, está em 3,83% e é o mais elevado desde os 5,13% de 2003. No acumulado em 12 meses, ficou em 8,13%, também o mais alto desde os 9,30% de dezembro de 2003, segundo o IBGE. 

O professor de economia Joilson Dias, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), afirma que o governo federal falhou ao prever a alta da demanda por energia elétrica e preparou o País para possíveis períodos de seca. "Houve descontrole nos preços controlados, como o da energia, porque seguraram o reajuste por muito tempo e porque não investiram o necessário." 

Para o presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina, Ronaldo Antunes, a tendência é a inflação continuar alta até o meio do ano e arrefecer no segundo semestre. "O único problema é que, além da crise econômica, temos a política. Se não piorar no campo político, dá para administrar o econômico." 

A desvalorização do real em relação ao dólar também pressiona a inflação. Boa parte dos insumos do setor produtivo nacional são importados e o preço de commodities, como o trigo e a soja, são cotados em dólar. Com a moeda estrangeira valorizada, o valor de alimentos que usam os dois grãos como matéria-prima, como o pão e o óleo de cozinha, tendem a ficar mais caros, explica Antunes. "Será um ano de ajustes nos preços controlados, no câmbio, no corte de incentivos fiscais ao setor produtivo e com alta de impostos. No segundo semestre, com a estabilização desse cenário, a inflação pode diminuir." 

Dias acrescenta que a energia elétrica também é componente básico de todos os setores. O grande problema, diz, é que os alimentos e a tarifa de eletricidade interferem no orçamento de famílias de baixa renda. "Sobra menos dinheiro para essas pessoas consumirem outras coisas porque gastam mais no que é indispensável. E o Paraná teve uma inflação especial, pelo aumento de ICMS", conta. Ele explica que, apesar da alta no imposto estadual vigorar desde 1º de abril, houve inflação de expectativa, que é quando o mercado eleva preços com antecedência. 

O professor da UEM considera que ainda pode ocorrer um segundo pico de inflação após maio, quando começam as discussões sobre dissídio coletivo da maioria das categorias. Por isso, cobra um corte de gastos por parte dos governos. "Só elevaram os salários ou verbas nos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo, nada de cortar custos. Não está claro o que vão fazer para evitar a crise ainda", diz. 

Choque no bolso

Mais da metade do IPCA de março, ou 0,71 ponto percentual (p.p.), deve-se ao aumento na tarifa de energia elétrica. Desde 2 de março, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) começou a aprovar reajustes pelo País, além do reajuste da bandeira tarifária de R$ 3 para R$ 5,50. Assim, o grupo Habitação foi responsável por 0,79 p.p.. Curitiba teve a maior elevação sobre a tarifa em 12 meses, com 78,35%, conforme o IBGE. 

Outro grupo em que a alta foi expressiva é o de alimentos, que subiram 1,17% e tiveram impacto de 0,29 p.p. na taxa. Na sequência aparecem os transportes, com 0,09 p.p.. Apesar da redução de 15,45% no preço das passagens aéreas, houve aumento 0,85% nas passagens de ônibus urbano, com Curitiba entre os mais expressivos, com peso de 3,40% em março – o reajuste de 15,78% vigora desde 6 de fevereiro.

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--907-20150409&tit=inflacao+de+marco+e+a+maior+desde+1995