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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 15/04/2015 11:06

Varejo cresce 0,7% no Paraná e cai 3,1% no País

Resultado estadual em fevereiro comparado com o mesmo mês de 2014 é puxado pelo setor supermercadista

O comércio varejista do Paraná vendeu 0,7% a mais em fevereiro em relação ao mesmo mês do ano passado, puxado pelo bom desempenho do setor supermercadista. Apesar de o crescimento ter sido pequeno, o resultado é expressivo porque o País registrou queda de 3,1 no mesmo comparativo, o pior resultado para o mês desde 2001 (-5,0%). Os números são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

No varejo ampliado, que considera as vendas de materiais de construção e veículos, houve diminuição tanto no Paraná (-10,8%) quanto no Brasil (-10,3%), também em relação ao mesmo mês de 2014. O endividamento do consumidor, o temor sobre o rumo da economia nacional, a inflação alta e os juros elevados que dificultam o acesso ao crédito são apontados como as causas para o resultado. Ainda, a queda foi intensificada pela ocorrência de três dias úteis a menos em fevereiro de 2015 ante o mesmo mês de 2014, devido ao Carnaval. 

A diferença entre Estado e País, diz o economista Marcos Rambalducci, da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), vem do menor impacto do desaquecimento econômico no Paraná. "O setor de serviços do Estado ainda não está sofrendo tanto e o agronegócio, com a injeção pela alta na cotação do dólar, assim como o setor moveleiro que trabalha com exportações, tem segurado o varejo", afirma. 

O coordenador do Núcleo de Macroeconomia e Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Guilherme Amorim, destaca que o setor supermercadista estadual cresceu 6,1%, bem à frente do segundo colocado nacional, o Espírito Santo, com 1,5%. Na média do País, o índice ficou negativo em 1,8%. "O fato é que o desemprego aqui não está tão grande quanto em outras regiões metropolitanas", diz. 

Entretanto, Amorim aponta que apesar da alta do varejo em fevereiro houve redução na maioria dos segmentos no Paraná, assim como no País, principalmente no varejo ampliado. "A tendência é que o Estado se alinhe ao resultado nacional. A inflação deve gerar um declínio no consumo e deve atingir também os hipermercados. Vai atingir menos porque a demanda por alimentos é inelástica, mas vai." 

Rambalducci explica que o trabalhador tem direcionado os gastos para produtos de primeira necessidade, como alimentos, e evitado os de alto valor agregado, como veículos, eletrodomésticos e materiais de construção. "O consumidor tem um sentimento negativo sobre o futuro imediato, se terá emprego daqui a dois meses, e prefere não fazer financiamentos de longo prazo", diz. 

O economista da Acil considera que a economia nacional comece a se recuperar somente após o terceiro trimestre deste ano e, portanto, trabalha com a possibilidade de o setor varejista recuar em vendas no ano diante de 2014. "O comércio vai reagir na mesma medida que a economia como um todo. Não dá para se sair bem quando o resto vai mal." 

Para baixo

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) reduziu de 1,0% para 0,3% a previsão de crescimento nas vendas do comércio varejista para o ano, após a divulgação da PMC. "A CNC revisou a estimativa anterior levando em conta um cenário marcado pela desaceleração da massa de rendimentos, pela maior restrição ao crédito e pela persistência inflacionária", afirma o economista Fabio Bentes, da CNC.

 

 

 

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