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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

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Publicado em 23/04/2015 09:50

Crédito bancário fica mais caro para grandes empresas

Alberto Fernandes, do Itaú BBA: maior incerteza fez bancos aumentarem spreads, mas taxas de juros ainda estão abaixo das cobradas em crises anteriores.

Alberto Fernandes, do Itaú BBA: maior incerteza fez bancos aumentarem spreads, mas taxas de juros ainda estão abaixo das cobradas em crises anteriores O custo do crédito local para as grandes companhias brasileiras subiu de forma rápida e significativa neste início de ano, em meio à percepção dos bancos de que o risco de calote subiu. 
 
Segundo relatos ao Valor de executivos das principais instituições financeiras do país, o começo de 2015 trouxe uma oportunidade de reajuste das taxas de juros cobradas das companhias de grande porte como não se via desde a crise de 2008, apesar de o preço ainda ser bastante inferior àquele do auge da crise financeira mundial. O resultado foi um aumento no spread bancário, a diferença entre o custo de captação e empréstimo, desde o começo deste ano. Dados do Banco Central (BC) de fevereiro, os mais recentes disponíveis, dão uma ideia da magnitude desse ajuste.
 
De dezembro a fevereiro, as taxas médias de juros cobradas da pessoa jurídica subiram 1,53 ponto percentual - um aumento superior ao acumulado em 2014 inteiro (0,86 ponto percentual). O reajuste feito nos empréstimos livres respondeu por boa parte desse aumento, mas o avanço nas taxas do crédito direcionado, em proporção bem maior que a do ano passado, também ajudou (ver tabela). Não custa lembrar, os números do BC incluem os diversos portes de empresas e tipos de modalidade de crédito. Além de as empresas virem suas margens pressionadas por aumento de custos e queda de vendas, fontes tradicionais de dinheiro barato, como BNDES e outros bancos públicos, tornaram-se mais seletivas e caras. 
 
Também ficou mais difícil para alguns setores acessar a farta liquidez externa. Diante desse ambiente mais arriscado e restrito, os bancos partiram para a remarcação de suas taxas. "O risco aumentou um pouco em algumas companhias porque o mercado ficou mais difícil, mais incerto. Os investimentos estão mais custosos, o dólar impactou balanços e algumas empresas têm dívidas em dólar. Isso aumenta o risco e, quando aumenta o risco, aumenta o spread", afirma Alberto Fernandes, vice-presidente do Itaú BBA. Acobrança de spreads mais altos em todas as linhas de crédito, para pessoas e empresas, terá um papel importante na determinação do resultado dos bancos ao longo deste ano. "São taxas ainda baixas [para grandes empresas], que foram de 2% ao ano para 2,5% ao ano. Mas, como são operações grandes, já há uma diferença importante para a margem financeira do banco", diz o diretor de um dos principais bancos brasileiros. Alguns fatores têm ajudado na escalada dos juros. 
 
Um deles é que algumas empresas estão rolando suas dívidas por incapacidade de honrá-las neste momento. "O que temos hoje são operações de curtíssimo prazo, às vezes renegociações com empresas que estão muito mal, que são operações mais caras", afirma Fernandes. O fechamento do mercado internacional para a emissão de bônus de empresas brasileiras também criou uma oportunidade extra para os bancos. Sem ter muitas opções de crédito, as companhias aceitam pagar mais caro. "Até esperávamos um volume menor de operações de crédito neste ano, mas, talvez por não ter mercado de capitais, o volume se mantém igual ao do ano passado", diz João Consiglio, vice-presidente do Santander. Fernandes, do Itaú BBA, relativiza o aumento dos spreads. "Já passamos por crises anteriores em que o aumento dos spreads foi muito maior. 
 
Eram momentos em que uma desvalorização do real pegava as empresas com dívidas de curto prazo e era um Deus nos acuda. Não é o que acontece hoje, nem de longe", afirma Fernandes. Em outra ponta, os custos de captação dos bancos estão mais estáveis, o que explica a melhora dos spreads. De dezembro a fevereiro, o custo de captação do funding do crédito para empresas subiu 0,4 ponto percentual. 
 
Embora o juro doméstico esteja em alta, as instituições têm captado via linhas externas, mais fartas e baratas, o que, na média, tem mantido o custo de captação sob controle. É o cenário que tem vivido o ABC Brasil, afirma Alexandre Sinzato, diretor de relações com investidores do banco. O aumento nas taxas cobradas também varia de acordo com o quanto a companhia se ajustou para um período de mais dificuldade, reduzindo, por exemplo, os vencimentos de curto prazo. "A formação do preço está ligada também ao trabalho de preparo que a empresa fez nos últimos anos para um momento como o atual. Dependendo do tipo de empresa, cabe aplicar uma taxa mais alta", afirma Sinzato. "O que temos feito é pôr o cenário de maior incerteza na economia no preço das operações."
 
 
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