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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 05/08/2015 11:26

Cresce inadimplência com cartão de crédito

Quatro em cada 10 brasileiros não têm conseguido honrar as dívidas feitas no rotativo do cartão de crédito.

Quatro em cada 10 brasileiros não têm conseguido honrar as dívidas feitas no rotativo do cartão de crédito. No mês de junho, a taxa de inadimplência nessa modalidade subiu para o maior patamar registrado neste ano: 36,9%, segundo o Banco Central. As dívidas incluem operações de crédito rotativo e saques realizados na função crédito.
 
Para o professor de finanças do Ibmec-DF, José Kobori, o resultado já era previsível, reflexo da queda na atividade econômica. “O aumento na taxa de juros e a diminuição da massa salarial são fatores que influenciam na capacidade das pessoas em pagar os compromissos financeiros. É fruto de um cenário recessivo, no qual se produz e ganha menos, e da política monetária contracionista, para conter a demanda”, explicou.
 
Nessas circunstâncias, o principal motivo para a alta no índice de inadimplentes é o aumento na taxa de desemprego. “As famílias estão com empregos ameaçados e muitas já perderam fontes de renda, então não têm como pagar os compromissos que fizeram anteriormente”, explicou o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) André Braz.
 
Além dos desempregados, a inadimplência também atinge as pessoas que contam com parte variável do salário, como quem trabalha no comércio e recebe comissão por quantidade vendida. “Quando cai o movimento, essas pessoas vendem menos e recebem menos renda variável, com a qual estavam contando, Isso afeta o pagamento das dívidas”, disse Kobori. Segundo ele, outro fator a ser levado em conta é a falta de educação financeira dos brasileiros. “As pessoas têm dificuldade de entender que, quando os juros sobem, o preço do consumo aumenta e o crédito fica mais caro. Só aprendem quando sentem no bolso.” Sem condições de pagar a fatura, elas têm dado o calote.
 
O problema é que o cartão de crédito é campeão de juros, e deixar de pagar a fatura resulta em uma bola de neve. “Quem deve mil reais, por exemplo, a uma taxa hipotética de juros de 10%, e paga só R$ 100, no mês seguinte ainda está devendo R$ 990. E isso vai acumulando, de forma que a dívida costuma aumentar a cada fatura, porque o mínimo, geralmente, não paga nem os juros”, explicou André Braz. Fazer dívidas no cartão está ainda mais perigoso atualmente, com a taxa de juros a 372% anuais, que, segundo ele, devem continuar subindo. “A intenção do governo é manter as taxas altas, para que o povo pise no freio e a inflação seja contida.”
 
 
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