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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

Informativo

Publicado em 27/08/2015 01:35

Taxa de inadimplência no Brasil atinge nível mais alto em dois anos, mostra BC

Por causa da crise econômica e alta do desemprego, a inadimplência de famílias e empresas aumentou em julho.

Por causa da crise econômica e alta do desemprego, a inadimplência de famílias e empresas aumentou em julho. Até as prestações da casa própria, o brasileiro tem deixado de pagar. De acordo com o Banco Central, a taxa de calote das famílias aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 3,8% em todos os tipos de crédito, ou seja, com recursos livres ou direcionados para alguns usos específicos. A inadimplência dos financiamentos imobiliários subiu de 1,8% para 1,9%. Se considerado apenas o segmento de recursos livres, o calote subiu a 4,8% em julho, o patamar mais alto em dois anos.
 
 A taxa é a maior desde o mesmo mês de 2013, quando atingiu 4,84%. Em junho, a inadimplência neste segmento, em que as instituições financeiras definem as taxas de juros livremente, havia sido de 4,6%, segundo dado revisado pelo BC.
 
Outras modalidades também registraram uma alta do calote. Empréstimos para aquisição de bens, rotativo do cartão de crédito, crédito pessoal e cheque especial têm mais parcelas em aberto.
 
 As empresas também tem dificuldade de pagar as dívidas. O calote aumento 0,1 ponto percentual e ficou em 2,4%. No segmento de recursos livres, o crescimento da inadimplência em julho foi maior entre empresas, com o índice passando a 4,1%, contra 3,9% em junho. Entre pessoas físicas, também houve avanço no período, a 5,4%, contra 5,3%.
 
SALDO DE CRÉDITO DESACELEROU
 
A maior inadimplência, que são atrasos acima de 90 dias nos pagamentos de dívidas, tem como pano de fundo o cenário de deterioração do mercado de trabalho, baixo crescimento econômico e inflação acima de 9% no acumulado em 12 meses, muito superior ao centro da meta do governo — de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou para menos.
 
Reagindo ao avanço persistente dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumentou a Selic em 0,5 ponto percentual no fim de julho, a 14,25% ao ano, patamar mais elevado em nove anos.
 
No cenário atual, os bancos estão mais reticentes em emprestar e o crédito no Brasil desacelerou. O saldo atingiu R$ 3,1 trilhões em julho, com expansões de 0,3% no mês e 9,9% em doze meses (comparativamente a 0,6% e 9,8% em junho). Já a relação crédito/PIB caiu de 54,6%, ante 54,5% no mês. O setor varejista é o que mais tem se retraído, segundo o BC.
 
ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS
 
 
A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro aumentou 0,8 ponto percentual no mês passado e chegou a 28,4% ao ano. Somente para pessoas físicas, o custo médio subiu 0,9 ponto percentual e está em 36,3% ao ano. Se for contar apenas recursos livres, os juros pagos em média pelas famílias chegaram a nada menos que 59,5% ao ano: alta de 1,1 ponto percentual mês e recorde da série histórica, iniciada em 2011.
 
O spread bancário — diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada pelos bancos ao consumidor final — seguiu igual toada, indo a 31,4 pontos percentuais no mesmo segmento, ante 30,6 pontos percentuais em junho.
 
O BC também divulgou que o endividamento das famílias em junho, dado mais recente disponível, caiu a 45,8%, contra 46,1% em maio. O percentual considera o impacto de financiamentos imobiliários.
 
Excluído esse efeito, o endividamento das famílias recuou para 27,1% em junho, contra 27,4% em maio. Já o comprometimento de renda considerando financiamentos imobiliários manteve-se em junho, a 21,9%.
 
 
http://aserc.org.br/taxa-de-inadimplencia-no-brasil-atinge-nivel-mais-alto-em-dois-anos-mostra-bc