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ASERC - Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito

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Publicado em 16/10/2015 02:19

Monte de empréstimos inadimplentes mostra problema econômico

O Brasil nunca teve tantos cidadãos e empresas com pagamentos de dívidas em atraso.

O Brasil nunca teve tantos cidadãos e empresas com pagamentos de dívidas em atraso.
 
A Serasa Experian mostrou em um relatório na semana passada que o número de indivíduos e empresas inadimplentes por todo o país subiu para um recorde de 61,2 milhões no final de agosto.
 
Os bancos locais, por sua vez, registraram em agosto um volume total de R$ 96,2 bilhões (US$ 24,7 bilhões) em empréstimos com atraso, segundo dados do Banco Central.
 
A pior recessão em 25 anos tem reduzido a capacidade de endividados em honrar com suas obrigações no maior país da América Latina.
 
É provável que a situação piore: analistas projetam que a contração se estenderá para 2016 e será a mais longa desde a Grande Depressão.
 
“Os índices de inadimplência explodiram recentemente”, disse Salvatore Milanese, que investe em carteiras de créditos inadimplentes no Brasil como sócio da CRS Investments.
 
“E essa tendência crescente não deverá mudar tão cedo. Os bancos verão a fatia desse tipo de crédito que tem dentro de seus portfólios crescer daqui para frente”.
 
Milanese, que anteriormente trabalhou na divisão de reestruturação e empréstimos inadimplentes da KPMG no Brasil, disse que os bancos poderiam ter até R$ 400 bilhões em empréstimos inadimplentes e que poderiam ser vendidos em seus portfólios.
 
Alguns bancos já estão tentando negociar tais carteiras.
 
O Itaú Unibanco Holding SA, maior banco da América Latina em valor de mercado, planeja vender uma carteira de empréstimos inadimplentes com um valor nominal de até R$ 3 bilhões antes do final do ano, segundo três fontes que pediram anonimato porque não estão autorizadas a falar sobre o assunto.
 
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, poderia vender até R$ 6 bilhões, disseram as fontes.
 
Cenário difícil
 
A assessoria de imprensa do Itaú preferiu não comentar sobre a venda. A assessoria de imprensa do BNDES disse que não há um cronograma que defina quando o banco venderá parte de seu portfólio.
 
A economia do Brasil vai se contrair 2,97 por cento neste ano e 1,2 por cento em 2016, segundo analistas participantes de uma pesquisa do BC.
 
“O aumento da inadimplência de todos os tipos é totalmente consequência do cenário difícil atual no Brasil”, disse Carlos Castanho, que ajuda a gerenciar R$ 9 bilhões em ativos como sócio da firma de crédito focada em créditos inadimplentes Ipanema Credit Management, com sede em São Paulo.
 
“Não prevemos uma melhora no cenário a curto prazo, o que apresenta uma oportunidade para que os investidores se concentrem em ativos de liquidação duvidosa”.
 
 
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